terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

O Guardião da Fronteira

Em 2024, participei da Bienal do Livro, em São Paulo, como autor. Tive dois contos selecionados para a antologia "Floresta Encantada" e fui lá ter meus quinze minutos de gloria. A experiencia foi muito interessante, pois a antologia foi distribuída para todo o Brasil - por conta de seus diversos autores - e até alguns outros países do mundo. 

Resumindo: meus escritos vararam os mais diversos lugarejos, levando minhas ideias insanas dos tempos do "Contos de Fada?".

Como não tinha comentado a respeito, por motivos diversos, hoje lembrei e vou colocar um dos textos aqui. O outro eu coloco num outro dia...  

Um belo dia um sujeito acordou cedo pensando em passear, mas havia uma chuva forte que prejudicou seus planos. Resolveu, então, remexer em caixas empoeiradas, cheias de lembranças e fotos, quando uma carta, dessas de baralho, caiu no chão. Abaixou para pegar e viu que havia um desenho, em preto e branco, de uma cartomante e era assinado por “risca risca”. Enquanto pensava sobre o que era aquilo, procurando detalhes, vasculhando a mente atrás da origem daquela carta, um redemoinho o sugou para dentro do desenho. Quando, digamos, caiu, foi amparado por enormes almofadas que amenizaram o tombo. Estava numa tenda, dessas de parque de diversões, onde era possível observar uma mesa com uma bola de cristal, alguns incensos acesos, e uma decoração mista de colorido e cinza. Certo que ensandecia, resolveu sair dali e foi dar num gramado. Ao olhar para trás, a tenda desaparecera e, em seu lugar, havia um jardim e observou uma discussão de uma menina com um sujeito esquisito, baixinho, de barba verde e cabelo roxo, um desses seres que não tem definição, talvez um duende, que estava sentado num banquinho cor de abóbora, para não perder a esdrúxula combinação de cores. Aparentemente era ele que protegia o lugar. 

- Para passar, precisa resolver o teste. O Mago exige!- explicou para a menina, entregando uma prancheta com algumas folhas de papel em branco e um lápis multicolorido.

Sem muito entender, primeiro ela desenhou um passarinho que tomou vida e saiu voando. Concluiu que havia uma mágica e tentou novamente com uma borboleta, conseguindo o mesmo efeito. O baixinho permanecia sério, enquanto várias imagens tomavam vida, enchendo o jardim de bichinhos que logo desapareciam. Como ele não falava nada e nem dava qualquer pista, ela pegou o lápis, desenhou uma pedra e uma tesoura, entregando a seguir para o baixinho, que sentado estava, sentado continuou. Ela, então, falou: -"Você escolhe um e eu outro". Ele escolheu a pedra que ela embrulhou com a folha de papel mágico e jogou fora. Aí sobrou a tesoura que usou fazer um recorte em forma de flor e ofereceu ao guardião! Finalmente ele sorriu, liberando a entrada.

O sujeito, então, aproximou-se antes que ela seguisse perguntou:

- Onde estamos?
- Não sei, eu estava dormindo e, de repente, “boom”! E você?
- Achei esta carta e aí “boom” também.
- Ah! A Cartomante de Papel! Ela faz isso às vezes.
- Você a conhece?
- Sim! Eu que a desenhei. Vai tentar o teste também?

Boom!


 


Boa tarde! Eu sou o Narrador!