sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Brincadeiras da minha infância

Com uma semana de atraso, a chuva hoje chegou pra valer. Já tinha dado o ar da graça, num outro dia, com uma noite de tempestade, daquelas dignas de Adrielle, onde raios e trovões fizeram a festa (mas por aqui não houve apagão). 

Nos tempos de infância, dias de chuva, principalmente nas férias, atrapalhavam totalmente as brincadeiras do dia a dia. Nada de bicicleta (hoje em dia também não), bola de gude, brincar de pique, pião e coisas do gênero. Só que isso valia mais para a turma interiorana e não para aqueles criados nos apartamentos de cidade grande, onde, naquele tempo, não havia play ground coberto ou condomínios fechados. A turma do apartamento tinha que se virar com outras atividades. A televisão estava começando, mas já havia uma boa programação infantil (que incluía o eterno “Pica-Pau”, sucesso até hoje); muitos jogos da “Estrela”, dominó e eu gostava bastante do Jogo da Memória. 

Recordar é viver, mas estou falando tudo isso por conta de um comentário daquela mesma amiga que, no ano passado, foi falar contar uma estória para a turma de menos de três anos de seu filho. Dessa vez, a mesma turma tem menos de quatro anos e ela assim escreveu:

“Hoje tenho que ir a escola do meu filho falar para a geração "Discovery Kids " e brinquedos "Fisher Price" sobre as brincadeiras da minha infância !!!!!” 

Os amigos começaram a mandar sugestões: bolinha de gude, pião, bambolê, batatinha frita 123, lencinho na mão, gato mia e elástico (os dois últimos tive que procurar no Google, quando descobri que “gato mia” e “cabra cega” eram a mesma coisa”). 

Nessa situação eu estaria liquidado. Gostava mesmo era de ler gibi, colecionar selos, escrever cartas para amigos distantes (N.N. Cartas escritas e enviadas pelo correio eram os e-mails de antigamente), mas joguei muito botão e algumas das brincadeiras descritas rolavam no colégio. Jogar futebol só depois de bem mais velho, onde eu era o dono da bola e pronto: tinha vaga pra jogar. 

Por conta disso, dias de chuva nunca foram problemas pra mim: já ficava dentro de casa mesmo e inventava o que fazer. Hoje em dia sigo inventando e a última foi tentar tirar fotos da tempestade. 

Fotos da lua e do pôr do sol são moleza (se bem que tem que ter alguma sorte e tals), mas tempestade tem que ser bom e tem que ter muita paciência. Paciência faltou, sorte não veio junto e acredito que também faltou máquina adequada para o evento. O que não aconteceu com o (K)Clown, que aproveitou bem o momento e mandou muito bem. O máximo que eu consegui foi um clarão (já foi alguma coisa). 

O que importa mesmo é a distração. Lembrando das coisas de criança, escrevendo um texto, fotografando a natureza, seja lá o que for para escapar do tédio. 

Alguém aí quer jogar War?



 
Boa Noite! Eu sou o Narrador.  

N.N. (nota do Narrador) A foto dos raios foi gentilmente cedida pelo amigo e jornalista Klaus Pettinger. Visite seu blog "Klaustrofobias", onde você também encontra as informações sobre formas de contato, preferências musicais, etc.