terça-feira, 30 de dezembro de 2025

É pra fazer o que?

Outro dia eu descobri que 2024 era bissexto. Os anteriores, 2016 e 2020, nitidamente foram complicados (traduzindo: tentaram me fuder, mas acabei superando... 2024 também).

Depois de tanta encrenca, 2025 andou, cansou, superou mais uma vez e aí resolvi tirar férias mais significativas que das outras vezes.

Durante o ano fiz a programação: muitos turno extras que guardei para compensar antes do habitual recesso de final de ano, aproveitando num hotel fazenda com minha filha. Claro que não foi tão simples, tinha muita gente me telefonando, enchendo o saco, querendo que eu resolvesse problemas que eu não criei, mas valeu.

Na volta, um plantão (bom... férias mais significativas significam parar a função de diarista, mas ninguém disse que isso incluía plantão... no máximo fiz uma troca pelo plantão de Ano Novo... mas vocês não estão prontos para entender isso) e, no dia seguinte, o novo caminho de final de ano (tem lá uns textos sobre isso) até a cada do meu pai.

Na volta, ainda fiz uma diária em Osasco para visitar minha filha mais velha e apresentar a mais nova; depois Curitiba e finalmente voltamos pra casa.

Mais dois dias, inventário do período sem manutenção: bebedouros das cachorras precisando de limpeza, banheiro das cachorras precisando de limpeza (inclui jardim e áreas cimentadas), muitas roupas precisando de lavadora, chão da casa precisando de vassoura e pano... foda!

Filha foi passar dias com a mãe... quarto de filha necessitando de força tarefa para arrumar. 

Quer saber? Foda-se! Só ano que vem!!!

Boa noite! Eu sou o Narrador!

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

Ressonância Magnética

Essa é a história do sujeito esquisito que tinha umas cicatrizes na face e um problema de saúde que o obrigava a fazer visitas frequentes ao "postinho" para renovar receitas.

Apresentava um deficit cognitivo que, associado a um descontrole na dose do remédio e/ou várias doses de aguardente que costumavam preencher seus dias, prejudicava o entendimento das suas demandas.

Um belo dia, ele foi ao posto sóbrio. O médico, interessado na resolução dos problemas do cliente, aproveitou a rara oportunidade para coletar dados da história, inexistentes até então.

O sujeito, então, contou que, anos antes, sofrera um acidente que ele não lembrava bem, mas sabia que ficou em coma vários dias e desenvolveu o problema de saúde atual depois disso. Além disso, havia alguma coisa que vazava secreção na nuca e que muito o incomodava.

O médico nem discutiu: trauma antigo na cabeça, problema neurológico e coisa que vazava era igual a ressonância magnética.

Muitos meses depois, a notícia da destruição de um aparelho de ressonância tomou conta das manchetes e o tal sujeito apareceu arrumado, sóbrio e com um presente para o médico.

Foi quando ele contou que o exame salvou a vida dele porque o que aconteceu no passado foi que ele tomou um tiro e o projétil ficou alojado na nuca; quando o exame começou a bala saiu, ricocheteou por toda a sala, destruiu o equipamento, todo mundo fugiu e ele saiu caminhando, trocou de roupa, passou na farmácia e comprou um band-aid para colocar na nuca.

Moral da história: quem trabalha com ressonância magnética deve usar capacete e colete a prova de balas... Afinal nunca se sabe o que vai acontecer.

Obs: Esta é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com qualquer coisa que tenha acontecido pode ou não ser mera coincidência.

 Bom dia! Eu sou o Narrador!

segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

A Torre

O cenário desses contos geralmente é sombrio, mas o viajante, eventualmente, pode cair numa fenda um pouco mais agradável mesmo que continue sendo muito esdrúxula.

A pequena recepção, onde mal cabia o funcionário especializado em reservas,  era também o acesso aos quartos. Os corredores eram largos, o chão era de madeira e rangia. Por fora, os aposentos pareciam muito simples mas havia um deles sempre reservado para o viajante, no qual ninguém era hospedado.

Muito cansado e empoeirado (cidades de faroeste são cheias de poeira), foi logo reconhecido e sua entrada liberada. Subiu as escadas, abriu a porta do quarto onde havia uma pequena cama com colchão de palha e coberta com lençóis brancos e um cobertor de lã marrom.

Ele passou direto na direção do pequeno armário de madeira; abriu sua porta, afastou alguns cabides e travesseiros e atravessou a parede de madeira como se ela não existisse (era somente uma projeção holográfica).

Subiu uma escada metálica, um pouco enferrujada e em espiral, chegando ao topo da torre, onde um aposento com pé direito equivalente a dois andares, com um mezanino que era o quarto (por assim dizer) o aguardava.

Apesar do cansaço, optou pela parte, digamos, baixa do aposento onde havia uma biblioteca e duas janelas com vista para o mar. Alguns equipamento também faziam parte do local.

Sim! Era de lá que ele viajava para vários mundos!

Ele sabia que seu tempo era curto e fez alguns ajustes no equipamento (vamos combinar que viajar pela  oitava dimensão, da forma que ele fazia, gerava um grande desconforto) e subiu para dormir. Quem sabe por quanto tempo... quem sabe para onde irá da próxima vez...


Boa tarde! Eu sou o Narrador!