𝄟 "E nessa loucura de dizer que não te quero, vou negando as aparências, disfarçando as evidências..."♫
Já sou médico há muitos anos e gosto de estudar e acompanhar a evolução das tecnologias. O que nunca abri mãe foi da experiência. Tem coisas que não estão nos livros, nos trabalhos e que são passadas verbalmente pelos antigos.
Uma dessas coisas é a sutura com fio de cabelo. Tive um aluno que ficou impressionado com isso e apelidou de "sutura do Jassa", numa referência ao cabeleireiro do saudoso Silvio Santos.
Aprendi a técnica com um médico bem antigo e usei algumas vezes em meninas com cabelo comprido e corte pequeno no couro cabeludo. Dá um trabalho danado, mas o resultado é muito bom.
Aí começou a proliferação de cursos para médicos, preferencialmente, recém (mal) formados. O grande chamariz são os "macetes", soltos em figuras feitas por inteligência artificial, que não explicam tudo que acontece (só se você fizer o curso). Outro chamariz é a Medicina Baseada em Evidências.
Essa "medicina" sempre foi uma coisa meio óbvia: os cientistas estudam, apresentam seus resultados (congressos, artigos científicos, etc) e a gente lê a coisa e usa se for o caso.
Só que o conceito inicial sempre foi mais amplo: "As três dimensões filosóficas originalmente descritas da MBE foram (a) as melhores evidências de pesquisa, (b) experiência clínica e (c) valores do paciente" - deixei o link dessa definição no parágrafo anterior..
O que acontece é que a parte da experiencia clinica e valores do paciente tem sido muito negligenciada e abandonada (vamos combinar que essa parte dá muito trabalho ---> que nem a sutura com fios de cabelo)
Ora, pois: não é o objetivo do médico atender o paciente respeitando seus valores? Se o médico consegue um diagnóstico com uma boa anamnese ele tem que solicitar uma ressonância magnética?
No mundo da ficção, temos a série "House": apesar de todos os recursos disponíveis, o diagnóstico sempre vinha com perguntas simples e negligenciadas pelos alunos do médico.
Querer respostas rápidas em consultas mais rápidas ainda nunca foi o objetivo da medicina. O objetivo é o bem estar do paciente.
Quer saber? Melhor ouvir Chitaozinho e Xororó!
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