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quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Os Segredos da Força

Demorei dois meses para ler o livro “Não conte a ninguém” do Harlan Coben, que nem de longe guarda alguma relação com o simpático “Refúgio” que já falei aqui, pois não passa de um “novelão” que daria vergonha a Janete Clair. 

O autor esticou a história de todos os modos possíveis e deixou algumas coisas para as últimas páginas. De qualquer forma cumpri a dura tarefa e já posso partir para outros que estão na fila e que prometem bons momentos de leitura. 

Hoje foi um daqueles dias muito frios de verão (ué? Verão não é calor?), onde imperou o vento e a neblina. Pelo que a amiga Zilda explicou, o “inverno veio tirar suas férias de verão por aqui” e o casaco volta ao trabalho. Na contramão da literatura discutível, terminei o dia no cinema e aí sim consegui uma história de verdade, mesmo que sendo de mentira (bom... isso também é difícil de garantir). 

Um spin-off da saga Star Wars estreou hoje mundialmente (o que inclui as paragens daqui também): "Rogue One" conta uma história tirada, possivelmente, de uma frase perdida no roteiro original de algum dos filmes de base. Sensivelmente voltado ao público adulto, seguiu a mesma linha do “Animais Fantásticos e onde habitam”: um spin-off para o público que cresceu admirando as guerras interplanetárias e acreditando no mantra: "Que a Força esteja com você”. 

O texto de hoje é bem curtinho mesmo. O ideal é ver o filme, ler o livro somente se sua sobrinha te emprestar (e não comprar para dar de presente pra ninguém) e entender que existem coisas muito grandes por aí que podem (e vão) mudar o nosso destino.  

 
Boa Noite! Eu sou o Narrador.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Fotonovela

Na TV paga existe uma série que se chama “Castle” sobre um escritor que acompanha uma equipe da polícia afim de ganhar inspiração para os próprios livros. A série é bem divertida e foi descontinuada no início de 2016. Pelo que eu entendo, essa situação (falta de inspiração) não é incomum, pois existiriam contratos com editoras onde os autores devem lançar um livro de tempos em tempos. Só que inspiração é uma coisa complicada e, às vezes, eles devem tropeçar nesse problema, brilhantemente resolvido na série televisiva. 

Quando vou às livrarias eu procuro evitar autores que possuem muitos títulos à venda, pois o processo de criação, provavelmente por conta desses contratos, pode estar prejudicado e a tendência à mesmice é uma presença inevitável. Geralmente o primeiro livro é muito bom, e o sucesso é garantido porque as vendas dos demais vai por conta da vontade dos fãs em repetir o prazer do primeiro livro. 

Graças à fama e à sugestão de uma vendedora, ganhei de aniversário o livro “No seu olhar” de Nicholas Sparks, que é um desses autores “best-sellers” com várias adaptações de seus livros para o cinema. Ao que parece, o gênero é algo romântico e meloso (eu vi o filme “Um amor pra recordar”), mas nesse livro ele também tenta contar uma história de suspense e é aí que tudo fica complicado. 

O perfil dos personagens é caricatural: o que pareceu é que foi modificando de acordo com a necessidade, no melhor estilo “novela das 8”; pela expressão que minha sobrinha fez quando mostrei o livro, fotonovela seria uma definição interessante para a obra; a descrição das situações era inverossímil para um romance contemporâneo; as cenas de ação eram confusas; as atitudes dos personagens não condiziam com o perfil proposto; enfim, o livro não mostra o sucesso que o autor possui. 

Só que a leitura não é desagradável, apesar de alienante. Se você procura distração descompromissada, é uma opção de leitura; se você procura conteúdo aprimorado, sugiro o Neil Gaiman (que foi o autor que eu escolhi para continuar com minhas leituras). 

Ah! Voltando às fotonovelas, elas fizeram muito sucesso no passado e quem sobreviveu foi a revista Capricho, claro que depois de muitas modificações (hoje em dia ela não apresenta mais fotonovelas). A Wikipédia tem boas informações a respeito para quem nunca viu uma dessas, e vale a pena conferir. 

E o cafezinho estava bom.
 

 
Boa Noite! Eu sou o Narrador.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Zero

“Os perdedores, assim como os autodidatas, sempre têm conhecimentos mais vastos que os vencedores, e quem quiser vencer deverá saber uma única coisa e não perder tempo sabendo todas, o prazer da erudição é reservado a perdedores. Quanto mais coisas uma pessoa sabe, menos coisas deram certo para ela.” (Umberto Eco – Número Zero – Editora Record, 2015 – Tradução de Ivone Benedetti). 

Zero é um número interessante, pois, mesmo na contagem regressiva, ele é que inicia alguma coisa: a decolagem do foguete, o prato do Masterchef (a Ana Paula Padrão não fala o nome do número, mas todos entendemos), o caminho da reprovação escolar (quando havia isso, tirar zero já era o início do desastre) e diversos outros exemplos que podemos imaginar. 

Até o capeta responsável pelo meu inferno astral resolveu dispensar o estagiário bonzinho, que pegou leve comigo, e resolveu foder com tudo exatamente no último dia antes do aniversário: na contagem regressiva, ele escolheu o zero. 

“Número Zero” também é um livro, definido na sua própria orelha como “um perfeito manual do mau jornalismo que o leitor percorre sem saber se foi inventado ou simplesmente gravado ao vivo. Uma história que se passa em 1992, na qual se prefiguram tantos mistérios e tantas loucuras dos vinte anos seguintes. Uma aventura amarga e grotesca que se desenrola na Europa do fim da Segunda Guerra até os dias de hoje.” Comprei esse livro por impulso e pouco depois da morte do autor; conhecia somente “O Nome da Rosa” e mesmo assim pelo cinema, por conta da interpretação do Sean Connery. Apesar do currículo do escritor, o livro entrou para o hall daqueles que eu não indicaria: tecnicamente é muito bem pensado e escrito, mas os italianos e a turma de humanas devem entender bem melhor sobre os dados históricos citados. Quanto ao mau jornalismo, a narrativa é perfeita: mostra toda a manipulação de notícias que vemos presente nas redes sociais, mídias oficiais e alternativas. Terminei de ler hoje, em Viracopos, fruto da traquinagem sofrida que baixou um nevoeiro, causando um atraso de todos os voos e o cancelamento SOMENTE do meu; com a baldeação, o atraso total da viagem foi de sete horas e, na prática, custou mais um dia. Ainda bem que o Godzilla não apareceu.


Boa Noite! Eu sou o Narrador.

domingo, 24 de janeiro de 2016

A Cruz e a Espada

”[...] os abnóxios são infectados pelo vírus da parlapatice inexaurível.” 

É inegável meu gosto por literatura de aventura, suspense, ficção científica (é só clicar no marcador “Bons Livros” que isso aparece), mas sou aberto a todo tipo de experiência literária desde que com alguma recomendação, pois esses livros não costumam “piscar” para mim nas livrarias. 

Livros são bons companheiros, principalmente nos aeroportos; em casa eles “brigam” com o sono, com a vontade de sair de bicicleta nesse fim de tarde de domingo (a caminhada da manhã foi forte o suficiente para que eu não sinta remorso da eventual preguiça que andaria presente nesse momento sem vírgulas), mas ganham da televisão sempre, o que não quer dizer que você não possa ouvir a JB FM ao mesmo tempo.

Essa semana foi de sol. Já nem digo mais em que estação do ano estamos porque isso é impreciso mesmo sendo verão com manhãs outonais e lua cheia ao anoitecer. Algumas pessoas preferem assim, porque se sentem solitárias quando chove ou faz frio; outras não toleram a solidão em qualquer temperatura e fazem suas escolhas de vida baseadas na máxima de que “não querem ficar sozinhas” e acham que essa é a verdade universal para todos, apesar de não ser a realidade de muitos. 


O livro que eu li tem um nome estranho: “Minha mãe se matou sem dizer adeus” (Ferreira, Evandro Affonso – Rio de Janeiro: Record, 2010) e foi emprestado por um colega do trabalho. Depois que Alice me apresentou o Waly Salomão já não mais estranho frases sem vírgulas com palavras fora de ordem ao melhor estilo Yoda Jedi Mestre e com citações que necessitam visita ao dicionário para entendê-las. A narrativa é um monólogo de um quase octogenário escritor solitário sentado numa mesa de uma confeitaria de um lugar qualquer, num domingo chuvoso, onde ele espera a morte e o final lembra muito o livro "Terapia: Avareza" de Ariel Dorfman, da coleção Plenos Pecados da Editora Objetiva (1999). Encontrei uma mini resenha sobre a obra e uma entrevista com o autor que você pode acessar clicando aqui. É um mar de melancolia e não sugiro a leitura em dias chuvosos, principalmente se você faz parte do grupo que não tolera a solidão. 


Domingos de chuva são feitos para sonhar... 

O melhor dia para uma caminhada cedo é o domingo: pouca gente na rua, a maioria com o mesmo objetivo que o seu e você pode completar o dia (ou não) com um passeio de bicicleta, como fiz na semana passada. Hoje mudei o curso da coisa para dar tempo de terminar a leitura, escrever o texto e ouvir a rádio. Solidão? Melancolia? Transforme isso tudo em pôr do sol e luz da lua que a vida será bem mais amena.




“Agora eu vejo
Aquele beijo era mesmo o fim
Era o começo e o meu desejo se perdeu de mim”



Boa Noite! Eu sou o Narrador.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Revirando os Olhos

”Era necessário que a balança entre o bem e o mal estivesse equilibrada. E, para evitar que o nosso mundo fosse destruído pela ganância e sede de poder de Lucian, foi forjada uma arma capaz de decidir o destino da humanidade. Um corredor escuro, uma garota e uma voz misteriosa, sombras avançando em sua direção e, num piscar de olhos, uma multidão de pessoas mortas a observando pacientemente, como se esperassem algo. É assim que vive Samantha Lyterin, uma garota aparentemente normal, mas assombrada por vultos e visões do futuro. Ela se vê de uma hora para outra destinada a manter o equilíbrio em uma guerra onde de um lado estão os anjos, querendo proteger a humanidade, e do outro, sombras que buscam incansavelmente a arma que permitiria a ascensão de Lucian.”  

Em todas as artes existem os prodígios que descobrem seus dons logo cedo. É assim na música e, como exemplo, vou deixar aqui a Eduarda Henklein que é baterista e tem uns seis anos de idade ou quase isso; temos também essa criançada do “Masterchef Júnior” e do “Que Marravilha – Chefinhos”, esse último comandado pelo Claude Troigros e que tem um formato melhor, na minha opinião. Na literatura, falei bastante da Beatriz Peres que vence as dificuldades e segue em frente. 

Recentemente comprei um livro (“Sombra de Um Anjo”; Brandão, Ana Beatriz Azevedo; Novo Século Editora – 2015), já em segunda edição, que prometia 480 páginas de literatura infantojuvenil de qualidade, tamanha a força da propaganda em torno do fato da autora ter, à época do lançamento da primeira edição, 14 anos. As reportagens também diziam que ela, em pouco tempo, escreveu um sem número de livros e que iria lançá-los dentro do possível. A autora participou da Bienal do Livro no Rio de Janeiro, deu entrevistas em vários lugares e ganhou inúmeros fãs. A chamada do livro, que iniciou este texto, prometia algo muito interessante. 

Que legal isso! Acho que devemos estimular muito nossos jovens na sua criatividade dentro de seus interesses. O único detalhe é que devemos ser orientadores e muito realistas. Nesse último quesito, o Claude Troigros é ótimo e ele deixa bem claro o que tem que melhorar, apesar dos elogios que papai e mamãe deixam para os jovens chefs (realmente eu fico muito impressionado com essa garotada na cozinha). 

Só que esse detalhe faltou no primeiro livro da Ana Beatriz Brandão. Ficou claro que a segunda edição foi revisada e, mesmo assim, até a página 76, eu anotei vinte problemas variados entre ortografia/gramática, excesso de descrições de vestimentas, localização da ação, noção de tempo, dentre outros. No curso do livro alguma coisa até melhorou um pouco, já que ainda rolaram mais 400 páginas de leitura, mas não completamente ileso de críticas. Todos esses problemas eu relacionei e enviei à autora, que respondeu de forma simpática, disse que vai aproveitar as considerações nos próximos livros e coisa e tal. 

Em relação ao conteúdo, ela conseguiu uma protagonista mais chata do que a Bella Swan do filme Crepúsculo (a ponto do “senhor das trevas”, Lucian, desejar que “ela fosse um inseto pra poder pisar em cima e calar aquela vozinha irritantemente fina dela”) ; transformou “Céu” e “Inferno” em alegorias; caricaturou os anjos como adolescentes num shopping (isso ela mesma escreveu quase no final do livro) e se perdeu na narrativa inúmeras vezes, isso sem contar no uso de “revirei/revirou/revirando os olhos” à exaustão, quase como a única expressão facial descrita em todo o livro. Apesar de ser obra de ficção, nem assim algumas coisas aconteceriam, mas não vou fazer nenhum spoiler por aqui. 

Mesmo com todos esses “poréns”, o livro fez sucesso e a autora já está no seu segundo lançamento literário, o que me leva a crer que existe um problema também com os leitores que ficam satisfeitos com obras primárias e sem o menor conteúdo, mesmo em literatura fantástica e sobrenatural. 

De qualquer forma, desejo sucesso, bom senso da sua assessoria, uma revisão mais criteriosa do conteúdo e do português nos próximos livros. Quem sabe eu venha a ler um outro lançamento, num futuro incerto, e talvez mude minha opinião, não é mesmo? 

 Boa Noite! Eu sou o Narrador.

sábado, 22 de agosto de 2015

Velho, mas não obsoleto!

Alguns dias na nossa vida são bem interessantes e hoje foi um desses dias. Além das tarefas domésticas e um bom passeio de bicicleta à tarde, antes que a “friaca” retorne por essas bandas, terminei de ler o livro que Alice me presenteou no meu aniversário. É uma coletânea da obra de um sujeito que se chama Waly Salomão ("Poesia Total - 1ª edição - São Paulo: Companhia das Letras, 2014") do qual eu nunca tinha ouvido falar. Falei disso no texto “Uma Orelha” e hoje finalmente completei a leitura. Particularmente eu nunca li um livro de poemas/poesias (existe uma diferença entre as palavras), mas o interessante foi voltar à época da Tropicália/Ditadura Militar. Cheguei à conclusão que eu não entendo mesmo do assunto, mas achei uma pérola que vale a pena compartilhar: “Escrever poesia é como surfar! Poesia, como surfar, é inesgotavelmente fresca e cheia de surpresas; suas delícias são sem fim, e cada onda, como cada poema, contribui em sua medida para o que sentimos, sabemos e acreditamos.”(Surfaces - A.R. Ammons; Set in Motion – essays, interviews & dialogues - Edited by Zofia Burr – 1996). 

Além da obra poética, Waly Salomão escreveu letras de músicas que fizeram sucesso lá naquele tempo. Uma delas, musicada pelo Lulu Santos, foi consagrada pelo Paralamas do Sucesso e o vídeo eu deixo mais adiante. Se vale a pena conferir essa coletânea, isso eu já não sei, mas é uma viagem no tempo com um autor sem definição de estilo e de uma complexidade exuberante. Há um apêndice com resenhas de outros autores que é tão ou mais complexo que o livro. Enfim, foi uma experiência interessante. 

À noitinha minha ideia foi outra: ir ao cinema assistir “Teminator Genisys”. O filme é ótimo, principalmente para quem acompanhou a saga desde 1985 ou viu as inúmeras reprises televisivas, já que muitas citações, dos filmes anteriores, rechearam a produção atual. Gostei de um bordão novo: “Velho, mas não obsoleto”. 

Pelo que vocês estão vendo, hoje houve uma volta ao passado. A cereja do bolo ficou para o final. Ao sair do cinema, fui abordado por uma família: há cinco anos, atendi uma menina, na época com uns oito anos de idade, e fiz um diagnóstico preciso de um problema que carecia acompanhamento (claro que não lembrava disso). Vi, agora, uma bela moça ainda em tratamento, a antiga menina e fiquei feliz com a lembrança de sua família. 

Sim, eu estou velho, mas ainda não obsoleto! ( Arnold/Terminator/Schwarzenegger ) 


 
Boa Noite! Eu sou o Narrador.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Os Três Anões e o Mundo de Zofia

Enquanto o Planalto Norte ficava inundado/ilhado pelas chuvas e a Copa começava, impedindo que o resto do mundo soubesse da tragédia, já que a mídia só conta o que interessa, a chegada de um pacote de livros, encomendados pela Internet, informava que eu já não estava mais tão isolado como antes, pois chegou via SEDEX e conclui que alguns acessos já estavam liberados. Normalmente eu escolho livros numa livraria física, mas acabei escolhendo na livraria virtual, baseado nas sinopses e críticas. 

O primeiro que li, e terminei ontem, foi “O Estranho Mundo de Zofia e outras histórias” (Kelly Link, 1969; tradução: Cassius Medauar; Editora Leya – 2010), aproveitando que na televisão só havia a Copa e reprises de séries, o que criou grandes intervalos para a leitura. A crítica do livro era ótima, chegando a receber uma opinião do Neil Gaiman (Sandman, Stardust) que dizia: “Kelly vai inserindo uma palavra de cada vez em seu texto, transformando todas em mágica. É uma autora singular e deveria ser considerada um tesouro nacional”. 

O livro até é interessante, mas lembrou alguns comentários que eu recebi, no tempo que escrevia no “Conto de Fadas?”, quando me perguntavam o que eu bebia no que eu me inspirava para escrever, já que muitos textos ninguém entendia. Garanto que, apesar de algumas coisas irem para o blog após algumas festas, onde havia uma gelatina meio “malhada” (a tal da “gelapinga”), em boa parte eu somente escrevia o que dava na cabeça e o que eu tinha vontade, mas de uma forma muito hermética. A mesma impressão eu tive do livro de Kelly, mas eu acho que ela tomou mais gelatina do que eu. 

Aí lembrei de um conto do Klaus, que se chama "Os Três Anões", publicado no “Contos de Fada?” em 2009, e que reproduzo a seguir. As histórias de Kelly seguem uma linha semelhante, mas achei esse conto contemporâneo, já que o Brasil perdeu a Copa do Mundo num vexame sete vezes pior do que em 1950. 

“Era uma vez... 

Três anões: Triste, Muito Triste e Mais Triste Ainda, que viviam num condado, no sul de Depreção City, local tão deprimente que nem o nome da cidade era escrito de forma certa. 

Triste, o mais velho, deserdou de um grupo de outros sete anões, quando seus coirmãos não quiseram mais dividir a brancura de Neve. Muito Triste é filho de Triste com Neve e Mais Triste Ainda é um amigo imaginário de Muito Triste, tão triste que é, jamais teve amigos reais. 

Um dia eles cresceram e desenvolveram muitas habilidades mentais, dentre elas, a capacidade de transformar tristeza em força interior, enquanto o pai, um anão pouco desenvolvido, via, na tristeza, a vontade de morrer. 

Os filhos, sim, porque ele adotou o amigo imaginário de Muito Triste, por sua vez faziam da tristeza motivação: um exemplo foi quando ambos se apaixonaram pela mesma guria, Nevinha... sobrinha de Neve. 

Quando finalmente Muito Triste conseguiu marcar um encontro com Nevinha, Mais Triste Ainda ficou o elevado ao quadrado de seu nome, contudo, no fundo, pela primeira vez na vida, sentiu uma ponta de felicidade. 

Muito Triste, por sua vez, sentiu muita tristeza pelo irmão imaginário, mas pela primeira vez, sentiu a parte submersa do iceberg de felicidade, quando, então, resolveram se unir... 

E o que os livros contam até hoje é o seguinte: quando o excesso de tristeza se une ao excesso de tristeza, tem-se excesso demais para não reagir... 

E por isso q eu te digo meu caro: - existem histórias com finais mais deprimentes do que a sua! E essa foi uma delas..." 

 
Boa Noite! Eu sou o Narrador.  

N.N.: Klaus Pettinger é jornalista, escritor, fotógrafo (principalmente de raios e tempestades) e trabalha em alguma coisa que não me lembro, mas que não é em nada disso que já falei. Conheça seu blog “Klaustrofobias” em http://klaustrofobias.blogspot.com.br/

sábado, 24 de maio de 2014

Avada Kedavra (Morte Súbita)

Que eu lembre, só deixei dois livros sem completar a leitura: o primeiro foi “Vidas Secas” de Graciliano Ramos, indicado pelo professor de português e que cairia numa prova (ele ainda orientou que “pulássemos” o prefácio de umas 45 páginas); o outro foi “Senhor dos Anéis” (1200 páginas, mais ou menos, de três livros, reunidos num único volume), mas ai já foi por preguiça mesmo, já que o primeiro filme já entraria em cartaz e achei mais interessante ver do que ler. Confesso que não lembro como resolvi o problema da prova, mas assistir a trilogia foi muito legal e recomendo o livro também.   

"Avada Kedavra" era aquele feitiço imperdoável lá dos livros/filmes do Harry Potter, usado para matar o Sirius Black, o Professor Dumbledore e até o pobre coitado do Professor Snape, mas causava o tal efeito “morte súbita”, pois era imediato, não dava tempo de chamar ambulância e o sujeito caia totalmente detonado. Talvez, por conta disso, J.K. Rowling resolveu inventar uma versão moderna do feitiço, criando um livro imperdoável com o título de “Morte Súbita” (tradução em português do título original “Casual Vacancy”), já que ele detona várias histórias que poderiam ser muito melhor desenvolvidas durante a saga. Ao contrário dos livros do Harry Potter, não houve riqueza de detalhes que maravilharam seus leitores, quando os viram nos filmes; a quantidade absurda de personagens “toscos” que foram impiedosamente descritos até meados da página 350 (o livro tem 500 páginas), tornam a leitura pior que a “Maldição Cruciatus”. (clique aqui para ver um esquema bem interessante dos personagens). 

O livro, ao que parece, vai virar série de televisão; talvez algo como uma novela das 8, mas ainda bem que a Janete Clair não vai ver isso (sorte da J.K.) e eu muito menos. Agora é esperar pelos próximos que estão a caminho. Dessa vez não fui procurar livros “piscantes” e encomendei pela Internet mesmo, mas espero que a leitura seja bem mais agradável. Ah! Esqueci de comentar: eu li as 500 páginas (dessa vez eu fui até o final).

 
Boa Noite! Eu sou o Narrador.