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terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Vá de Bike

Resolvi abrir o texto de hoje com um vídeo bem especial: veja primeiro, dentro do possível, e depois siga em frente. 




Na descrição desse vídeo temos a explicação: "Bicicleta, a música instrumental lançada pelo vocal do Boca Livre no segundo álbum, de mesmo nome (1980), agora ganhou uma letra. Zé Renato e Claudio Nucci, parceiros de longa data, apresentam a novidade, acompanhados de amigos especialíssimos: Mú Carvalho (Hammond D3), Jorge Helder (Baixo Acústico) e Marcelo Costa (Vassourinha).” 

Pois é... o que era só um belo instrumental agora tem uma letra bem interessante e criativa, descrevendo um pouco das emoções que encontramos ao pedalar. 

A boa novidade por aqui é que o grupo Pedala Planalto passou a promover as pedaladas noturnas toda semana às terças-feiras (antes era uma vez por mês), aumentando as chances de um pedal urbano agradável com um grupo de pessoas unidas pelo esporte. 

O que eu fiquei de contar em textos anteriores é como você pode registrar sua atividade. Existem alguns aplicativos para celular que marcam o tempo em movimento, a rota e a quilometragem e o que eu uso é o Strava. O bom da coisa é que você tem certeza do que pedalou e não ficou “enrolando” durante o tempo em cima da bicicleta. 

Esses mesmos aplicativos, na versão paga, podem ser configurados para funções diversas como registrar frequência cardíaca, lavar louça, passar roupa, por exemplo, mas fiquei com a versão gratuita mesmo. 

Para encerrar, vou deixar as fotos do grupo da semana passada e de hoje, além de um vídeo que registrou meu movimento no ano passado e que eu baixei do site do aplicativo.

'Bora pedalar semana que vem?






 

Boa Noite! Eu sou o Narrador.

domingo, 1 de maio de 2016

Dia de geada, sol e pedal

Abril sempre é um mês interessante, mas nesse ano ele foi bem cansativo, pois trabalhei o dobro do habitual para cobrir férias de alguns colegas (de nada!). O bom da história é que isso rendeu uns trocados a mais (a cobertura de férias paga uns 40% do valor da hora normal – foda complicado isso) e que o trabalho correu sem incidentes e com resultados satisfatórios. 

Ontem (com o amanhecer de hoje) foi meu último dia de trabalho antes das férias e fiquei feliz com a alegria dos pacientes atendidos que tiveram seus problemas resolvidos. Os que ficaram terão que esperar mais um pouquinho. 

Normalmente há a “ressaca pós plantão” (eu escrevo isso na minha agenda), quando eu chego em casa meio “morto-vivo” e prefiro descansar, mas hoje foi muito diferente. O primeiro agrado foi a geada que congelou o carro e proporcionou belas paisagens no caminho para casa. Eu já falei a respeito num outro texto mas, só para lembrar, quando há geada (ou neve) o dia é de sol sem qualquer nuvem o que torna tudo muito bonito e agradável, mesmo com o frio lunar que faz nesses dias. 

Como hoje é o Dia do Trabalho , coincidente com o primeiro domingo do mês, a cidade amanheceu animada com as diversas programações associadas e, pela manhã e com o patrocínio do SESC, houve o chamado “Dia do Pedal” que reuniu mais de 500 pessoas para uma pedalada urbana muito agradável. Mesmo com o frio, pessoas de idades variando de meses até trezentos e poucos anos aproveitaram o evento e eu não perderia essa de forma alguma. 

No turno da tarde ainda rolou o evento “Domingo na Praça” com o patrocínio da prefeitura. Dei uma passada por lá também e já estava enchendo de gente, mas dessa vez não fiquei por conta de outras atividades incluindo passar no banco e lavar a louça do almoço. 

Férias começando... muitas coisas programadas. Dormir? Só de noite para recuperar as energias. Vamos pedalar o que for possível (só que levando casaco, é claro), separar as taças de vinho e aproveitar da melhor maneira como o destino mandar. Trabalhar é legal, mas qualidade de vida é fundamental.

  
 Boa Noite! Eu sou o Narrador.

domingo, 13 de março de 2016

O Pedal do Porco

Lá nos “antigamentes”, quando a gente ia na praia da Barra catar conchinha e procurar tatuís, a alimentação ficava por conta do biscoito Globo e do cachorro-quente do Geneal; para beber, o Mate Leão. Tínhamos também a opção de subir até a estrada e fazer o lanche num trailer, desses de acampamento, adaptado para fazer e vender comida. Com o tempo, surgiu a vigilância sanitária, a situação mudou um pouco e os trailers desapareceram, dando lugar a quiosques; as outras comidas e bebidas ainda existem mas são vendidas de forma mais asséptica (o que não garante grandes coisas na praia). 

Eu não sei direito como é que eu entro nessas “roubadas”, mas acabo me divertindo muito, de um jeito ou de outro. A ideia hoje não era seguir nenhuma manifestação contra a corrupção e nem a favor do “impeachment” e sim participar de um cicloturismo a partir da 1ª Fenasui – Festa Nacional do Suíno. O passeio ciclístico fazia parte das atividades da festa, era algo leve, só quarenta quilômetros (acho que viraram cinquenta, mas deixa estar), pessoal muito bacana, outro dia andei vinte e cinco quilômetros com eles, tinha carro de apoio (sem GPS ou mapa) com água, bananas, barrinhas de cereal... enfim... eu fui! Comecei a preparar a situação desde ontem, porque eu tenho um transbike que estava meio encostado e aí tive que fazer uma limpeza e reparos (funcionou bem) e já deixei a bicicleta montada nele para não perder tempo de manhã. Torcendo para não cruzar com a Polícia Rodoviária (transbike atrapalha a visão da placa traseira), fui um dos primeiros a chegar no Parque de Exposições Ouro Verde. Turma reunida, um tempo depois saímos no passeio. 

O grande detalhe é que o naipe da tropa era infinitamente superior ao meu e eu fiquei para trás nos primeiros minutos. Muitas subidas, descidas boas daquelas que o santo ajuda, mas não necessariamente segura na hora de uma queda (a prudência também diminui a velocidade). A coisa começou a ficar divertida quando as encruzilhadas chegaram e, por não saber a direção correta, aguardava o carro de apoio. Como ele não tinha GPS, mapa, cão farejador ou alguma coisa do gênero, por duas vezes entramos na quebrada errada e ganhei alguns quilômetros a mais de passeio. 

Poucos acidentes e sem vítimas: uma corrente quebrada, outra emperrada, um pneu furado e uma transmissão avariada (bike também tem dessas coisas); minha velha Calói “analógica” e de “linha discada” conseguiu comportar-se bem e voltar pra casa ilesa, mas a providência divina fez com que seu dono sofresse uma câimbra leve que foi o suficiente para jogar a toalha aos trinta e quatro quilômetros do pedal. E aí que a diversão aumentou! Explico: o carro de apoio, dirigido pelo casal patrocinador e muito simpático, errou o caminho diversas vezes e aí imaginamos eu, o atrasado, subindo e descendo as trilhas equivocadas... foi ou não foi providência divina a tal da contusão? Claro que isso gerou inúmeras gargalhadas e divertimento certo! 

A cultura dos trailers de praia não morreu: substituídos por quiosques, ressuscitaram, como Fênix, ganharam nova roupagem e agora são chamados de “food trucks”. Na festa do porco, evidentemente, a gastronomia ficou por conta da carne dos suínos, para desespero do Porco Espírito, mas não resisti e encarei um "sanduba gourmet” num desses veículos estilizados para a prática da “gordice” e que tinha a cara da Peppa Pig (era rosa e feio). Uma “marravilha”, como diria o Claude Troigros. 

Fim de festa, vamos pra casa: estou comendo até agora! O desgaste calórico é impressionante, mas foi um dia ótimo, cheio de boas recordações. E você? Foi lá na manifestação?  


Boa Noite! Eu sou o Narrador.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Cotidiano - Rodas e Pneus

♪ ”Todo dia ela faz tudo sempre igual 
     Me sacode às seis horas da manhã 
     Me sorri um sorriso pontual 
     E me beija com a boca de hortelã”♬ 

Uma coisa que não possuo é rotina de vida do tipo acordar as 6h e dormir às 22h e o de sempre preenchendo o miolo do dia. Mesmo no meu período “diarista” (foi interessante, mas ainda bem que já passou faz tempo) as regras não eram tão claras assim. Passei a última semana em escala de 24x24: foi interessante, cansativo, mas fico feliz que tenha acabado e, enfim, o novo ano começou para mim. 

Hoje ouvi um desejo: “que os dias do ano novo sejam caixas de surpresas boas”. 

Quando cheguei em casa, vindo da maratona “trabalhística”, tive essa impressão de “coisas voando dentro de uma caixa”. Considerando que era isso mesmo, abri a caixa e voaram papeizinhos coloridos com palavras escritas e tudo muito misturado: CONTATELEFONEÓCULOSCONSERTOPNEUBIKEEDREDOPINGENTE 

Dei uma olhada na situação, levei a bicicleta para o conserto (o pneu estava furado) e fiz uma coisa que estava afim há bastante tempo: troquei as rodas e os pneus; enquanto ela ficou na loja, fui pegar o edredon que deixei na lavanderia; almocei; dormi (exausto!). No horário combinado, fui buscar a bike, pedalei por mais de uma hora e lembrei que era dia de “pedal noturno”. Fiz um lanche e parti para a aventura noturna em grupo o que, definitivamente, limpou todo o visgo remanescente do ano anterior. Agora é partir para os demais “papeizinhos” e surpresas da caixa dos dias. Isso deve ser mágica, não é mesmo?


Boa Noite! Eu sou o Narrador.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Em busca do arco-íris perfeito

”Naquele tempo, antes dos tempos, Íris insistia em manter o seu caminho aberto, mesmo que Nuwa tentasse fechá-lo com suas sete pedras de diferentes cores. Indra, por sua vez, impedia os raios e os trovões de se transformarem em chuva e formou dois arcos quase gêmeos. Lendas diversas... mas o que significou aquela visão do arco-íris duplo? Que não seja a parte boa de almas boas, enfeitiçadas pela bruxa, abandonando seus corpos, para serem guardadas no lar dos deuses, até que o feitiço do tempo resolva devolvê-las.” (“O Arco-Íris

Ontem foi um daqueles dias onde andar de bicicleta seria muito improvável: primeiro porque eu tive um compromisso e não sabia bem que horas chegaria em casa; segundo porque o tempo estava totalmente instável; terceiro porque, apesar de gostar muito, a preguiça é sempre uma grande inimiga do pedal (e de outras atividades também) e companheira fiel da procrastinação. De qualquer forma eu saí, só que as nuvens negras foram aumentando, eu insistindo, elas também, até que desabou um temporal, a roupa foi encharcando e voltei pra casa. Só que, ao chegar, a chuva estava diminuindo e fiz somente uma pausa, para torcer o casaco e, como já estava molhado mesmo, pensei: “Quer saber? Foda-se Dane-se! Vou sair de novo.” E assim fiz. 

Lá pelas tantas, já e novamente, no caminho de volta, surgiu um arco-íris. Bom... não era bem um arco, mas era muito intenso e muito bonito e resolvi fotografar. O detalhe é que eu não encontrava um bom ângulo, onde ele ficasse perfeitamente emoldurado, e tive medo de perder a oportunidade. Ao todos foram dez tentativas até que consegui uma foto que ilustrasse bem a aventura toda. O resultado é esse aí embaixo. 

 
 Boa Noite! Eu sou o Narrador.

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Pedaladas ao Anoitecer

”De carona na onda das bicicletas, com o vento batendo em cheio no rosto e a vida deslizando ao lado nem tão lenta nem tão rápida..." (comentário feito no texto "Ciclovia", pela amiga mais antiga)

Bem-vindo ao “Coisas do Narrador”, spin-off do outro blog que se chama “Contos de Fada?”. Agradeço sua visita, mas se você veio por conta do título, esperando que o texto abaixo falasse de contas públicas, lamento informar que não é isso que você vai encontrar. De qualquer forma, aproveite a visita conhecendo meu trabalho. 

Acrescentar novos hábitos à nossa vida é quase tão difícil quanto fazer uma criança experimentar alimentos novos, mas sabemos que é importante e sempre bem interessante. Só que sair da tal de “zona de conforto” dá muita preguiça e a gente acaba procrastinando e nunca resolvendo. 

Dessa vez (e finalmente) comprei luzes de segurança para a bicicleta e comecei a praticar o pedal noturno. Aparentemente é simples, mas tem que criar algum hábito, já que os olhos estranham, os buracos não são tão nítidos, você desfila como se fosse uma árvore de Natal e tem que ligar o botão do foda-se ignorar os passantes zoadores. Outra coisa que acontece, também, é que o horário do seu banho de final de dia vai mudar, assim como o horário do jantar e qualquer outra atividade que você faça à noite; se você for muito metódico, é um bom momento para levar a vida menos a sério, já que você não vai sair vivo dela, não é mesmo? 

Passado o período de adaptação, o melhor da história ficou por conta do Pedala Planalto, grupo de ciclistas aqui da região, que promove um passeio noturno de bike na primeira terça-feira de cada mês e, na última terça, lá estava eu, junto com mais vinte ciclistas, de principiantes a muito experientes, num agradável tour pelos trajetos urbanos. Para quem tem perfil no Facebook, vale a pena curtir a fanpage do grupo, clicando aqui

E você? Já pensou em experimentar alguma coisa nova? (coisa sadia, vamos entender isso direito). Por acaso come sentado à mesa e sem distrações? Tem pelo menos cinco cores no seu prato na hora das refeições? Bom... como dizia o velho Mago: “Isso é história para outro dia”! 


Boa Noite! Eu sou o Narrador.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

O Pedal e o Descobrimento

Escrever dois textos no mesmo dia seria arriscado se o objetivo do blog fosse outro que não o meu prazer na escrita. Claro que meus quinze leitores fixos são importantíssimos e hoje terão um pouco mais de trabalho, assim como os leitores eventuais. 

Quando a gente entra de férias geralmente temos alguma programação, além de acordar mais tarde e não ter muita hora para nada. Eu continuo acordando cedo e evito o ócio de alguma forma. Verificando o tempo livre, aceitei a proposta de Alice e parti pra Joinville no último final de semana. Geralmente minhas visitas incluem umas comprinhas, um cineminha, uma saída à noite e volta no dia seguinte, mas, dessa vez, resolvi procurar alternativas e a amiga acompanhou minhas ideias. 

A primeira foi um passeio de bicicleta pela cidade. Sim! Bem legal, né? Só que eu não coloquei a bicicleta no transbike e percorri os cento e noventa quilômetros equilibrando a magrela. Há alguns meses eu descobri que tem um passeio promovido pelo Dr. Bike (apelido do Daniel Rodrigues) através da Pedaltur, que aluga as bicicletas. Preferi o período da tarde e, por sorte, não havia muito sol, mas o dia estava agradável. Conhecemos o Instituto Internacional Juarez Machado, o Museu Nacional de Imigração e Colonização, além de outros pontos turísticos que sempre estiveram lá, mas, as vezes, a gente esquece disso e não faz a visita. 

No dia seguinte, visitamos o Memorial do Descobrimento que fica no posto Sinuelo na BR 101, caminho para Florianópolis. Sempre tive curiosidade de conhecer, até porque essa paradinha no posto é bem típica dos viajantes, principalmente para a turma das excursões ao Beto Carrero. O local é sensacional e a réplica da caravela é muito boa, fazendo a imaginação voltar aos tempos do Cabral (o Pedro Álvares e não o outro). 

Claro que também fui aos shoppings, fotografei a decoração de Natal e ainda comprei minha agenda 2015. Para encerrar os trabalhos, jantar num restaurante árabe, com direito a danças típicas e a presença adorável da Laura. 

Para tratar o passeio de bike, o telefone de contato é (47) 99013141. O Memorial fica aberto todos os dias, desde que não chova, mas vale a pena telefonar para lá e confirmar os horários através do telefone (47) 3447.7100.  


Boa Noite! Eu sou o Narrador.

domingo, 16 de novembro de 2014

O Pedal da Floresta

Quando eu tinha uns dez anos eu ganhei a minha primeira bicicleta. Era uma Caloi dobrável, vermelha e que a propaganda garantia que, uma vez “dobrada”, caberia na mala dianteira do fusca do papai. A primeira parte dessa saga, foi descobrir o que era uma tal de “chave sextavada” que tiraria o pedal, para – aí sim – conseguir colocar na mala. Como não descobrimos, o papai saiu com a bicicleta (empurrando) até uma loja própria onde o pedal foi retirado. Ai vem a pergunta que não quer calar: sem o pedal a bicicleta coube na mala do fusca? Ah! Esqueceram de falar que teria que tirar o estepe! E onde iria o estepe? No espaço atrás do banco traseiro! E as malas? Porra Caralho Que foda isso E quem foi que falou que as malas estavam incluídas no raciocínio? 

Pra simplificar as coisas, aprendi a andar, curti muito na adolescência, usei os ensinamentos em Paquetá e aí a coisa parou durante uns trinta anos até que fui morar em Petrópolis e ganhei uma nova bicicleta da minha mãe. Isso já foi uma manobra do papai. Eu explico: infelizmente mamãe falecera meses antes, mas ela tinha uma grana escondida em algum lugar que eu não lembro mais e isso virou o presente póstumo dela. Essa bicicleta foi dica do meu sobrinho (uma Caloi Aspen 2000), mas eu ainda precisaria treinar muito até conseguir sair do entorno do prédio que eu morava (eu fiquei dando voltas ao redor do prédio por várias semanas). Na primeira tentativa, não rodei nem um quilometro e optei por um transbike e aí poderia ir até o Parque Municipal com a bicicleta no carro (do lado de fora). Até que, um dia, consegui pedalar na rua. Hoje eu sou o tal ciclista urbano e faço meus passeios pela cidade mesmo. 

Só que existem aqueles caras bem legais que gostam de pedalar em trilhas (de preferência com lama) e, por conta disso, hoje rolou um “pedal” de cicloturismo dentro de uma floresta protegida pelo IBAMA. Minha bicicleta não é nem perto uma mountain bike, mas tem várias marchas e a coisa rola. Estudei o que eu achava que seria o percurso: uns 10 km no asfalto, umas duas subidas mais difíceis (que achei que dava para encarar) e depois uns 5 km de estrada de chão. Quando eles falaram que entrariam na floresta antes, aí eu vi que a coisa era séria, mas já era tarde para desistir. No primeiro obstáculo de lama, amarelei e passei a pé carregando a bicicleta; no seguinte já fui mais ousado, aumentei a velocidade e vi que o segredo era encarar sem medo. Até que, em dado momento, vislumbro ao longe um sujeito sentado depois de outro lamaçal: ele é que dava as dicas de como atravessar. Enlameado, consegui fazer o trajeto (tudo na subida) até a sede do IBAMA, onde rolava um evento. Lá a turma ainda fez um trajeto de mais 10 km que eu pulei e fiquei curtindo as atividades. 

Fiquei impressionado com a fome que tudo isso deu. Nem sei quantas bananas comi, além de barrinhas de cereal, muita água, um energético/hidratante com base em erva-mate (muito bom por sinal) e algumas deliciosas amoras, oferecidas por produtores locais. Alguns mosquitos depois, a volta foi iniciada com uma parada para almoço e, finalmente, cheguei em casa. Um bom banho, uma cervejinha para rebater, algumas horas lavando o tênis (que até agora tem lama) e um descanso, tentando entender que músculos são esses que eu não conhecia e que estão doendo. De qualquer forma foi tudo muito bom. Se eu vou fazer outra trilha dessas? Realmente eu não sei, mas isso só o tempo poderá decidir.

Boa Noite! Eu sou o Narrador.

domingo, 3 de agosto de 2014

Bicicleta

Algumas vezes, a Primavera dá uma amostra grátis do que virá por aí. Nesse dia não foi diferente e, mesmo em agosto, o domingo amanheceu sem nuvens e o sol brilhou dourado através da janela. Em dias assim, os personagens de contos de fada costumam aparecer... 

Com a cara inchada, Ana acordou tarde e aborrecida, já encontrando os demais sentados à mesa. O cheiro forte de café e do pão de queijo, recém saído do forno, era francamente irresistível. 

- Bom dia! - saudou os demais sem muita animação 
- Minha pequena Beatriz... vamos sair de bicicleta? 

Frente a possibilidade, os olhinhos castanhos brilharam e o desânimo desapareceu quase instantaneamente. Sentia saudades de sua irmã menor, que preferiu viajar depois do exagero das últimas chuvas (ela se sente culpada pelo ocorrido, mesmo que a intenção fosse boa). 

- Posso ir também? – perguntou o Guri. 
- Sim. Chame sua amiga. Ela pode tomar café conosco também.
- Já chamei. Ela agradeceu e não quis vir. 

Ainda nem estava muito quente, mas os dezoito graus da manhã já eram suficientes para um passeio confortável. De qualquer forma, algum agasalho foi necessário e eles subiram ladeiras, pedalaram na terra, viram os passarinhos e sentiram a brisa. 

- Ah! Isso pode ficar melhor! 

Entreolharam-se as crianças e, no melhor estilo “ET Go Home”, as bicicletas começaram a voar, para a alegria dos pequenos. O Dragão, vendo a movimentação, chegou perto para acompanhá-los. Voaram pela cidade, pelos campos e viram tudo muito pequenininho. Abriram os braços, para sentir melhor o vento, o calor do sol e a paixão da manhã. Ana finalmente sorriu e o Guri também. Pousaram as bicicletas em silêncio e seguiram de mãos dadas, como deveria ter acontecido. 

Qual não foi a surpresa quando entraram na casa e encontraram Adrielle, recém chegada, com um pão de queijo enorme e lambuzado de geleia de amora na mão. Felicidade completa para o dia de sol, ainda havia um convidado muito especial, com uma voz esquisita, um dedo com uma luzinha na ponta e que pediu para telefonar. Será que alguém viu isso pelo espelho?  


 Bom Dia! Eu sou o Narrador.

domingo, 4 de maio de 2014

Tardes de Maio

♪ O dia ficou noite 
O sol foi pro além 
Eu preciso de alguém 
Vou até a cozinha 
Encontro Carlota, a cozinheira, morta 
Diante do meu pé, Zé 
Eu falei, eu gritei, eu implorei: "Levanta e serve um café Que o mundo acabou!" ♫ (Nostradamus – música de Eduardo Dusek de 1981) 

Ops... ainda não chegou a hora, mas podemos parar para observar algumas coisas. O conceito de blog é um diário pessoal, mas foi modificando através dos tempos; dei uma olhada no que escrevi nos outros anos, nessa mesma época, e conclui que era para estar um frio de rachar, mas não foi bem o que encontrei nesse feriado prolongado. É, queridos 14 leitores, o tal do efeito estufa está por ai, como já dizem os estudiosos há bastante tempo, pois quem diria que, num lugar onde o inverno dura nove meses, eu ainda andaria de bicicleta e tomaria sorvete num final de tarde em pleno mês de maio. 

'Tá certo que não foram dias quentes: a neblina (misturada, ou não, à fumaça das chaminés dos diversos fogões a lenha espalhados por ai) foi a constante nas manhãs, até choveu bastante na véspera do feriado (o que adiou uma pedalada de quase 30 km... ufa!), mas o céu azul apareceu nesses finais de tarde que falei. 

A paisagem de maio sofre uma metamorfose: as nuvens fazem belos desenhos no céu, teve uma amiga que caracterizou a lua como um parapente (dá pra ver de tarde), se bem que eu ainda gosto mais do conceito de “lua em gato”, numa referência ao gato de Alice; a ciclovia, agora, fica cheia de pinhas que explodiram e você pode vê-las nos galhos também. A pracinha, com seus brinquedos que já andam pedindo uma manutenção, lota de crianças e adultos, aproveitando o clima ameno. 

Efetivamente eu não sei quanto tempo isso vai durar, já que nada é eterno, mas que seja infinito enquanto durar, parafraseando o poeta. Resolvi, então, dividir essas experiência com vocês. 



Boa Noite! Eu sou o Narrador.

sábado, 6 de outubro de 2012

Ciclovia

Sempre gostei de andar de bicicleta e, na montanha, era uma das minhas atividades favoritas.

Em 2004, uns quinhentos anos depois que aprendi a andar, ganhei uma bicicleta, bem diferente da velha Caloi dobrável vermelha (acho que já falei isso alguma vez): essa tinha marchas, era azul e bem grande. Foi presente póstumo da minha mãe, pois o papai achou um dinheiro guardado que era o valor da bicicleta e me deu, em nome dela, com essa finalidade. No início o pedalar era tímido, somente em volta da moradia mesmo, até porque o preparo físico era nenhum. Com o tempo tudo mudou e os passeios até o parque e no próprio parque viraram rotina. 

Claro que a chuva e o frio atrapalhavam muito, mas sempre que havia uma chance era isso que eu fazia. 

Na mudança para terras mais frias, onde o inverno dura nove meses, aí a coisa ficou bem mais complicada e fui obrigado a adquirir a “bike parada”, que faz também a função de excelente cabide em algumas residências. 

Para andar de bicicleta, pistas planas e de piso asfáltico ou, pelo menos, sem pedras, ajudam muito, até na conservação do veículo. As antigas bicicletas Phillips, de freio contra pedal, suportavam qualquer coisa, mas hoje isso só acontece com as sofisticadas mountain bike. 

Visto isso, o dia amanheceu nublado, mas não estava frio. Em poucas horas já foi possível vestir uma indumentária básica, criar coragem para descer as escadas do prédio com a bicicleta e o antigo divertimento criou vida novamente, como Fênix! Agora é só recriar o bom hábito, aproveitando a segurança de um longo trecho de ciclovia, onde os carros não passam e o risco de ser atropelado é pequeno. 

'Bora pedalar?  

                                         Boa Tarde! Eu sou o Narrador.