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terça-feira, 30 de agosto de 2016

Casa no Campo

Há uns três anos eu falei que a versão Disney para o início da Primavera, principalmente no desenho “Bambi”, era algo do tipo gelo derretendo, flores desabrochando a olhos vistos e passarinhos cantando sem parar, para desespero de corujas ranzinzas. Por aqui praticamente nevou há duas semanas e os dias seguintes foram de sol, mas não podemos dizer que a “cena Disney” aconteceu. 

A grande diferença, neste ano, é que viajei, depois da “nevasca”, para comemorar o aniversário do Velho Pai lá no interior onde ele mora. Encontrei um clima ameno, sol brilhando, céu azul e os ares primaveris espalhados por todos os lados. Foi como a explosão que surge no desenho do Bambi: laranjeira em flor, jabuticabeira idem, orquídeas nos troncos das árvores, ipês floridos, pássaros cantando, tudo isso no mesmo quintal e em pleno inverno! 

Você já viu o desenho do Bambi? O filme completo eu não achei, mas aqui tem uma ótima amostra pra ver se você entende o que estou falando. 

Continuando: num buraco entre duas bananeiras, uma das galinhas (Ah! O Velho Pai cria galinhas: elas andam livremente pelo quintal e dormem no galinheiro) fez um ninho, onde, silenciosamente, botou dezessete ovos que viraram nove pintos e tive a grata oportunidade de presenciar esse momento. Foi uma raríssima oportunidade, principalmente para quem não vive diretamente no campo; na melhor das hipóteses você encontra os pintinhos num galinheiro e não na vida selvagem. Fotografei o que vi e montei um vídeo. A música é do Zé Rodrix, Elis Regina cantou também e acho que representa todo um sentimento relacionado ao tema, para “plantar e colher com a mão, a pimenta e o sal”. 


 
   

Boa Noite! Eu sou o Narrador.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Voilà mon Jardin

Philippe Ledoux tinha uma amigo que se chamava Jacques e que morava numa quitinete. Na primeira vez que foi visitá-lo em casa, achou que era outra coisa e seguiu-se o seguinte diálogo: 
Philippe : C'est ta chambre ? Elle est grande ! (Phillippe pensou que era o quarto e não o apartamento todo.) 
Jacques : Ma chambre? Non! C'est mon appartement. 
Philippe : Ton appartement ! 
Jacques : Mais oui, tu es dans mon bureau. (Havia uma mesinha, logo na entrada, que Jacques dizia ser o escritório) 
Philippe : Et là? Qu'est ce que c'est ? 
Jacques : C'est ma cuisine. (onde havia um fogareiro – não havia micro-ondas à época – e uma pequena pia). A gauche, voilà ma chambre. (do lado esquerdo havia um sofá-cama) 
Philippe : Et voilà ton jardin ! (pegando um vaso de planta) 

Essa história era a segunda lição do livro “La France en Direct” (na primeira, eles combinaram essa visita por telefone), base do método chamado de “Capelle” e utilizado na Aliança Francesa do Rio de Janeiro e também no Colégio Marista São José, onde o francês era ensinado no primeiro e no segundo ano do antigo curso “Ginasial” (isso foi lá no início dos anos 1970). 

Estudei na Aliança até o final do segundo grau, quando fiz a prova de conclusão e obtive o “Certificat d’Etudes Pratiques et Apprentissage de Langue” (CEPAL) e comecei o curso superior (NANCY), mas meu objetivo era outro e parei o curso após um semestre. Foi uma época muito interessante, pois uma das características da Aliança era acontecer em casas do tipo residenciais, onde os cômodos eram adaptados para salas de aula. Os primeiros dois anos foram na sede da Clóvis Bevilácqua, na Tijuca, e a minha sala era num “puxadinho” que deve ter servido como oficina, estufa ou área de serviço; depois a sede foi para a Andrade Neves e já era uma casa mais sofisticada para a época. Nessa segunda etapa, havia um pequeno teatro onde conheci o trabalho (e o próprio) do Oswaldo Montenegro que lá apresentou sua peça de estreia “João sem nome” em 1975. 

Nunca tive jeito com animais (salvo as aranhas, lagartixas e os pelúcias) e muito menos com plantas. A bandeja mágica começou com uma jardineira e depois evoluiu até uma cristaleira, sendo que a jardineira deixei com minha amiga Patrícia. Só que, há algumas semanas, recebi um belo presente da amiga Sarah: uma planta – Serissa – num esquema de hidrocultura que, no final das contas, é a melhor coisa para o jardineiro preguiçoso, pois não dá qualquer trabalho para a manutenção. 

Juntando tudo, lembrei do Philippe Ledoux zoando o Jaques, da Aliança Francesa e do Oswaldo Montenegro que conta a história do grupo que veio de Brasília para o Rio de Janeiro (citando a Aliança Francesa) no filme “Leo e Bia”, que eu já vi algumas vezes e que ele próprio disponibilizou no Youtube. 

“Saudade é um elogio ao passado” 



Boa Noite! Eu sou o Narrador.

domingo, 1 de maio de 2016

Dia de geada, sol e pedal

Abril sempre é um mês interessante, mas nesse ano ele foi bem cansativo, pois trabalhei o dobro do habitual para cobrir férias de alguns colegas (de nada!). O bom da história é que isso rendeu uns trocados a mais (a cobertura de férias paga uns 40% do valor da hora normal – foda complicado isso) e que o trabalho correu sem incidentes e com resultados satisfatórios. 

Ontem (com o amanhecer de hoje) foi meu último dia de trabalho antes das férias e fiquei feliz com a alegria dos pacientes atendidos que tiveram seus problemas resolvidos. Os que ficaram terão que esperar mais um pouquinho. 

Normalmente há a “ressaca pós plantão” (eu escrevo isso na minha agenda), quando eu chego em casa meio “morto-vivo” e prefiro descansar, mas hoje foi muito diferente. O primeiro agrado foi a geada que congelou o carro e proporcionou belas paisagens no caminho para casa. Eu já falei a respeito num outro texto mas, só para lembrar, quando há geada (ou neve) o dia é de sol sem qualquer nuvem o que torna tudo muito bonito e agradável, mesmo com o frio lunar que faz nesses dias. 

Como hoje é o Dia do Trabalho , coincidente com o primeiro domingo do mês, a cidade amanheceu animada com as diversas programações associadas e, pela manhã e com o patrocínio do SESC, houve o chamado “Dia do Pedal” que reuniu mais de 500 pessoas para uma pedalada urbana muito agradável. Mesmo com o frio, pessoas de idades variando de meses até trezentos e poucos anos aproveitaram o evento e eu não perderia essa de forma alguma. 

No turno da tarde ainda rolou o evento “Domingo na Praça” com o patrocínio da prefeitura. Dei uma passada por lá também e já estava enchendo de gente, mas dessa vez não fiquei por conta de outras atividades incluindo passar no banco e lavar a louça do almoço. 

Férias começando... muitas coisas programadas. Dormir? Só de noite para recuperar as energias. Vamos pedalar o que for possível (só que levando casaco, é claro), separar as taças de vinho e aproveitar da melhor maneira como o destino mandar. Trabalhar é legal, mas qualidade de vida é fundamental.

  
 Boa Noite! Eu sou o Narrador.

terça-feira, 26 de abril de 2016

Estação das Sopas

Eu considero “dia de folga” aquele dia onde você trabalharia, mas por motivos diversos você está em casa. Alguns acham que domingo é o dia de folga, mas eu diria que é o dia da pausa semanal, para quem não trabalha nesse dia. Enfim, ontem foi minha folga e isso complicou um pouco a coisa porque fiquei sem saber o que fazer para aproveitar tanto a véspera quanto o dia seguinte, que foi hoje. 

Acostumado à cultura “cidade grande” que antecedeu à dos shoppings centers, onde tudo fica aberto o tempo todo, ainda acho estranho o “lado B” de algumas cidades ou localidades. Explico: nas cidades menores, a área comercial é substituída, à noite, pelo movimento dos bares, restaurantes e equivalentes que se encarregam de manter a animação do lugar. O ideal mesmo, do meu ponto de vista, era associar tudo, prolongando o horário de funcionamento das lojas da mesma forma que os shoppings funcionam, só que a céu aberto. Como não é assim que a banda toca por essas bandas, o que conseguimos à noite é o circuito gastronômico, com ofertas variadas para todos os tipos de gostos e bolsos. 

Há algum tempo eu falei do meu gosto por sopas e hoje, aproveitando que tive a folga ontem e não fiquei de “ressaca” de trabalho, fui experimentar a “Estação das Sopas” do restaurante “Doces e Fricotes”, já que o tempo chuvoso atrapalha as pedaladas do final de tarde. 

O restaurante é excelente e, geralmente, eu almoço lá aos domingos. Possui menu personalizado à tarde/noite e a qualidade do que serve é indiscutível, já que lá é um misto de padaria/confeitaria/restaurante/lanchonete e boa parte das iguarias é produzida lá mesmo. O ambiente é agradável, a decoração é repleta de lembranças de viagens e de amigos e faz parte do roteiro gastronômico/turístico local. Apesar disso tudo, não vai muito bem nos festivais gastronômicos e seu buffet de almoço é meio irregular, mas nada que comprometa a performance do local de forma definitiva. 

O interessante dessa “Estação das Sopas” é que você fica meio sem jeito, inicialmente, de levantar várias vezes para provar de tudo e repetir quanto quiser, mas quando você vê que não é o único a fazer isso, aí a coisa sai completamente do controle. Como o restaurante é experiente, a temperatura das sopas estava perfeita e você não corria o risco de “queimar o bico”. Para acompanhar, pães de produção própria, queijo, salsinha, umas pastinhas e o fechamento foi com uma primorosa calda quente de amoras. 

Inverno... frio e gordices... bicicleta que é bom nada... melhor tirar as coisas de cima da “parada”, arrumar outros cabides e pedalar na sala mesmo.  

 
Boa Noite! Eu sou o Narrador.

sábado, 23 de abril de 2016

Um conto antes do frio

A tecnologia é uma coisa muito legal, mas tira a graça de certas coisas. Lá no “bota antigamente nisso”, a previsão do tempo era feita com observação da Natureza e com os ensinamentos da vovó: 
- Leva guarda-chuva!
- Ah! Vó! Nesse dia lindo? 
Chuva na certa 

O inverso também era verdade:
- Comprei um guarda-chuva! 
- Que bom! Agora não chove tão cedo! 

Enfim... diz a lenda que a "friaca" invernal está a caminho e que sentiremos um puta grande frio nos próximos dias. Por conta disso, vou contar uma historinha, não sem antes deixar pra vocês a visão da “pedra da previsão do tempo” (você pode fazer algo do gênero para sua casa também). 



Num lugar tão tão distante... alguns Contos de Fada começam assim... 

A neblina clara da manhã de sábado, prenúncio de dia de sol, rapidamente foi afastada com a chegada das meninas. 

- Oiiiii, Mago! - no seu clássico uníssono. 

Deborah espantou as últimas nuvens e o brilho do sol, através da janela, acordou o Guri que logo pulou da cama, trocou de roupa e saiu ao quintal para brincar também. Enquanto rolava a folia de folguedos, os yetis guardiões das meninas optaram por jogar cartas com o assustado guardião (“não sei como que eu aceitei tomar conta dessa fronteira transparente”); o dragão, não muito satisfeito com o barulho dos fogos de artifício em homenagem a São Jorge, preferiu ajudar o gnomo no jardim. 

O dia passou rápido, o sol se pôs lindamente e o frio agasalhou toda a casa, obrigando o uso de toucas, casacos e meias. Em dado momento, um trovão e o tal do apagão. 

- Ops... - com o rosto vermelhinho, Adrielle se desculpava... blecaute total! 
- Lumus! Vamos procurar velas! - Ana remexia nas gavetas. 
- Tiens! Étoiles et la lune! - Deborah providenciou a iluminação de outras fontes. 

Admirados com a beleza e com o poder da Natureza, e de um jeito bem aconchegante, reuniram-se em volta do fogo providencial da lareira para comer uma “pasta”. O Mago foi o primeiro a contar histórias de seus tempos de criança, onde apagões eram comuns e celebrados com passeios nos caminhos só iluminados pelas varinhas, pelas estrelas e pela lua.

- Ah! Bons tempos aqueles, onde alguns que já se foram nos davam as mãos para que não caíssemos e nos ensinavam a ser feliz! 

Após a sobremesa de doce de leite, o Narrador fez as vezes. 

Era uma vez... 

Alguém que procurava por seu bem querer que nem ao certo sabia onde estava, muito menos que estava procurando, pois talvez tivesse desistido de algumas coisas. Tinha medo da decepção, do sofrimento, da desilusão, dos momentos de dor e de, no final, experimentar de novo a solidão. 

Um belo dia, seu bem querer veio ao seu encontro, mas era muito diferente do que poderia imaginar: não era um cavaleiro errante e muito menos montava um cavalo baio; era somente alguém que a amava, que adorava suas histórias, que sentia sua falta quando ela partia e que morreria de dor quando a visse em outros braços... 

Mas seu bem querer também tinha seus medos: da perda, do desencanto, também dos momentos de dor e de, no final, experimentar de novo a solidão... 

A luz voltou, alguém sugeriu um café e um serelepe pulou a janela e saiu pelos campos... será que foi buscar pinhão? 

  
Boa Noite! Eu sou o Narrador.  

N.N.: Compilação dos textos Blackout e Bem Querer em versão livre.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

O Vinho e o Frio

Este ano, o inverno, com seu frio rigoroso e persistente, ainda não apresentou as belas manhãs ensolaradas, com a geada cobrindo os campos e os jardins e muito menos nevou, como há quase um ano atrás. Com a promessa de frio lunar polar para os próximos dias, ter em casa um bom vinho sempre é uma boa pedida, já que sair para jantar e degustar tal iguaria é uma coisa um pouco complicada. 

Lá nos “antigamentes”, quando não havia a Lei Seca (por sinal, uma excelente lei), eu gostava de frequentar a Pousada dos Eucaliptos, lá em Petrópolis, e tomar uma canja, acompanhada por uma taça de vinho, toda quinta-feira, durante o inverno. Era um local super agradável, administrado pela ONG Cruzada do Menor, sem fins lucrativos e que, infelizmente, virou outro investimento imobiliário, quando as contas foram maiores que a receita (o link que deixei é antigo, mas dá para ter uma ideia do charme do lugar). Depois, transferi minha degustação para uma padaria, perto de casa, que servia sopas variadas aos domingos, quando também apreciava um vinho. 

Lendo assim pode parecer que sou um “expert”, um enólogo ou mesmo outra coisa não tão chique; não é nada disso: eu pouco entendo do assunto, não imagino que vinho eu tomava nessa época (era “da casa”, servido em taça ou caneca), mas ajudava a enfrentar o frio que lá também não era moleza. 

Vindo para o sul, tive a oportunidade de conhecer algumas vinícolas, sendo, a mais recente, a Vinícola da Serra, em Pinheiro Preto. Um lugar muito legal de visitar e, na degustação, fiquei encantado pelo vinho artesanal, produzido com quase todas as mesmas técnicas vindas da Itália à exceção do “pisar nas uvas”, e trouxe pra casa algumas garrafas. A única coisa chata disso tudo é que, para conseguir renovação do estoque, só indo lá ou encomendando diretamente. Por um lado é uma vantagem, em relação à qualidade, mas complica um pouco com certeza. Fica a dica e 'bora tomar um vinho porque o frio já bate na porta (mas se beber, não dirija).  


Boa Noite! Eu sou o Narrador.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

O Conto do Fogão

Na semana passada, ela esquecera um pouco da vida, viajou até sua cidade natal, onde moram seus pais, e era feriado, havendo uma grande festa comemorativa. Apesar de tentar passar despercebida, encontrou sua antiga amiga (aquela gostosona) que, evidentemente, não deixou de contar suas estripulias com o namorado.

Na volta para casa, uma bagunça danada, já que suas enteadas nada fizeram e o marido preferiu não desagradar as filhas.

- Então, a festa foi boa? - ele perguntou, com um sorrisinho meio amarelado.
- ("Teu cu!" – ela pensou) Claro meu bem! - ela evitou encrenca.

Nem tomou banho e partiu para a arrumação. Muita louça, muita lama dentro de casa ("o que custava tirarem a porra do sapato antes de entrar") e essa foi a parte fácil. O maior problema ficou com a lavagem de roupa, já que a umidade estava alta devido à chuva e ao frio polar que se abateu sobre a região. Preferiu não arriscar e selecionou apenas as roupas de baixo que poderia secar no fogão a lenha, já que havia um mini varal acima dele, justamente para isso. Para evitar o cheiro característico de fuligem, o grande lance era acender o fogão e só colocar as roupas um bom tempo depois.

Decidida, aproveitou que as gurias ainda estavam no trabalho e o marido encontrava-se em local indeterminado, mas fora de casa, verificou se, ao menos, a lenha que comprara com antecedência estava seca e iniciou os trabalhos no fogão. A compra foi boa, pois os preços estavam mais em conta e ainda ganhou um quilo de lascas de nó de pinho, como cortesia. Juntou uns gravetos e um pouco de jornal, acendeu essa base e colocou uma lasquinha bem pequena (sim, tem que ser algo desse tamanho porque o nó de pinho tem um poder calorífico absurdamente maior que a lenha comum e, se você usar muito, num fogão pequeno, a coisa pode esquentar de verdade), houve alguma fuligem, mas o fogão foi esquentando aos poucos. Aproveitou e colocou água na chaleira, separou a garrafa térmica, colocou chimarrão na cuia e foi tomar um banho, não sem antes já colocar algumas peças para secar e conferir se o boiler deixara a água do banho quente (sem surpresas dessa vez).

Estava exausta e o banho faria bem. Ligou o rádio no máximo de volume, naquela estação que só tocava sertanejo (o “cornual” é claro) e deixou a água quente e relaxante correr pelo seu corpo, no melhor estilo “comercial de shampoo”.

- Alô? É do bombeiro? Aqui é a enteada da Ana Paula! É que tá pegando fogo aqui! Já vem? Anda logo!

O som da sirene foi abafado pela música do rádio que ela cantava como se estivesse num karaokê: ♪”Tá tão difícil pra você também, né?/Com o coração vazio, mas sempre de pé/ Buscando alguma direção”♫

De repente um machado arromba a porta do banheiro e a fumaça negra é misturada com o vapor da água do chuveiro. Ela grita, o bombeiro não quis nem saber, coloca Ana Paula nas costas e a leva até o quintal, onde foi coberta com uma manta.

Bom... estava tudo muito certinho, até que a tapada da enteada chegou em casa, achou que estava muito frio e resolveu colocar mais lenha no fogão. Só que, ao invés dos tocos de eucalipto, achou que os caquinhos dentro daquele saquinho à parte eram mais fáceis de manipular e jogou tudo lá dentro, sem notar que era o nó de pinho. Alguns momentos depois, o fogo subiu muito, as tampas das bocas voaram e a roupa começou a queimar.

- Pronto, dona Ana Paula, foi só susto!

Ela totalmente catatônica, tanto por vergonha e outro tanto por ódio da enteada ("essa vai se ver comigo depois"), agradeceu, voltando ao banheiro para se vestir.

Na volta ao quartel, os heroicos bombeiros estavam felizes do dever cumprido. 

- Gente! Viram quem era? Ana Paula que nada! Era a Natasha! 

 
Boa Noite! Eu sou o Narrador.

N. N: O trecho apresentado é da música "Pra te fazer lembrar" do cantor Lucas Lucco ("de quem?" -perguntou o Quati).

terça-feira, 25 de junho de 2013

O fogão é a solução!

Já acostumado à sensação de deserto do Atacama, à noite e principalmente no inverno, verificar 80% de umidade relativa do ar no barômetro não chegou a ser uma surpresa. Em raras ocasiões há a coincidência de frio e chuva que, durante alguns dias, modifica um pouco a rotina. 

A primeira preocupação é não escorregar nos pisos que ficam molhados como se estivessem “suando”; esse efeito é observado nas paredes também. Considerando que você não escorregou, pode ficar preocupado também com o tempo que vai levar para a roupa secar no varal. Outro cuidado importante, é fazer uma caixa com uma lâmpada incandescente para poder secar o papel de impressora (principalmente se você usa impressão a laser). 

Resumindo: o inverno chegou com tudo que tem direito e está um puta frio de lascar. 

Sem querer criar um “manual de sobrevivência”, o velho e bom fogão a lenha pode resolver alguns problemas (pode criar outros também), principalmente a secagem das roupas. Aproveitando que você esquentou a água para o café (que acompanha muito bem o pinhão assado), coloque um pequeno varal acima do fogão e lá pendure o que deseja secar. Pronto! Problema resolvido! Claro que um eventual odor enfumaçado pode impregnar nas roupas, mas isso é irrelevante, pois é bem melhor do que o cheiro de mofo que pode surgir nelas, nessas condições climáticas. 

Para ilustrar, fica a foto. Vamos tomar um café? 

  
Boa Noite! Eu sou o Narrador.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Leva casaco!

Com a transformação dos personagens dos contos de fada em pessoas do cotidiano, as antigas histórias infantis ganharam um formato bem interessante em diversas séries televisivas e até nos desenhos animados (“Deu a louca na Chapeuzinho” é o máximo). Na série Grimm, que atualmente passa no Universal Channel, eu não gostei da versão do conto “Os Três Porquinhos”. Os bichos eram muito feios, bem diferentes da versão Disney. De qualquer forma, a ideia do porquinho “Prático” (construiu uma casa de tijolos, ao invés de palha ou madeira, como seus irmãos) sugere uma estratégia de marketing para detonar, de vez, as construções diferentes daquelas de alvenaria. A partir daí, antigas casas, praticamente artesanais, de madeira, foram substituídas pelas de tijolo e cimento, que logo deram espaço aos prédios (prédio de palha ou madeira não daria muito certo). 

Morar numa casa traz uma série de experiências interessantes e quem sempre morou em prédios jamais poderia imaginar que essas coisas existiriam. Se deseja aventura de verdade, tente morar num local frio, numa casa mista, onde parte é madeira (algumas paredes e o forro, logo abaixo das telhas, onde deveria haver uma laje) e parte é alvenaria. O “puxadinho” coberto por telhas de amianto dá o toque final, mas se fosse palha ninguém notaria a diferença. 

Das coisas que aprendi, o primeiro passo foi saber que jardim tem que ter jardineiro ou tempo, para você mesmo cuidar. A grama cresce rápido e o mato vem junto, mas você pode plantar rosas, já sabendo que nem sempre vão “pegar” na sua primeira tentativa; outra coisa é que o vento levanta as telhas, numa tempestade, e acordar de madrugada com os lençóis molhados, nessa situação, não quer dizer que você está incontinente ou que a senilidade chegou de vez. 

Morar numa casa pode trazer “sustos”, como naquele momento que o sujeito da companhia de água informa que o consumo está cem vezes maior do que o habitual e que há um vazamento em algum lugar da casa, invariavelmente embaixo dela (na sua casa o síndico a enlouquecer é você e o prejuízo não é dividido por todos); num prédio os animais de estimação são restringidos, enquanto numa casa você convive com os sapos que comem as aranhas que dão cabo de outros insetos e que se escondem nos sapatos. Se o quintal for grande e próximo a rios, teremos as cobras também que adoram comer os sapos (já fiz um texto sobre isso – clique aqui para ler). A grande pedida é que você pode ter um fogão a lenha ou uma lareira, facilitando a vida do Papai Noel, já que a chaminé é indispensável. Só que aprender a acender e evitar a fumaceira dentro de casa também é uma arte, além de conhecer o mercado da lenha, cujo entregador escolhe justo o dia de chuva para chegar na sua casa com o metro comprado (aprender a secar lenha faz parte da faina). 

Poderia citar outras situações comparáveis, mas a grande aventura é no frio mesmo, onde casas mistas possuem frestas e aí haja lenha para aquecer o ambiente (sai mais barato do que a conta de luz se você usar aquecedor). 

Os amantes da vida aventuresca ou rural, a essa altura do texto, já desistiram da leitura. Morar numa casa é uma coisa bem legal, mas você tem que estar preparado para isso. Andam dizendo que “importarão”, contra todas as leis escritas e do bom senso, vários médicos para nosso país, que provavelmente conhecerão tal situação. Além do absurdo da medida, não vão durar nem uma semana quando em lugares frios ou em locais de muito calor. Pensa que é moleza? 

Independente de todo o relato, foi um momento de aprendizado e isso sempre é muito bom. Estamos começando o período de frio (dura uns nove meses), as geadas já acontecem (falei delas num conto bem legal de 2011 que você pode conferir clicando aqui) e isso lembra o conselho da minha mãe e que deu origem ao título. Nessas ocasiões, o céu não tinha qualquer nuvem, mas ela sempre recomendava e ai de você que não levasse o tal do casaco (eventualmente o tal do guarda-chuva também) porque ficaria com frio e, eventualmente, encharcado, em algum momento do dia. 

Finalizando (ufa!), para quem mora num prédio, uma coisa não acontece: o belo visual da geada, enquanto o seu carro descongela pela manhã (se for movido a etanol, nem tente ligar que não vai pegar). Faz frio, mas a beleza é incrível. Acorde cedo, pegue seu casaco e não perca a oportunidade. 


 

 Boa Tarde! Eu sou o Narrador.

domingo, 23 de dezembro de 2012

Casinha do Tempo

Houve uma época sem computadores, satélites, televisão, rádio e outras facilidades do mundo moderno e as pessoas davam lá um jeito de sobreviver. As evidências (nós) provam que isso dava muito certo e a modernidade somente tornou as coisas bem práticas. 

A previsão do tempo é uma dessas coisas que melhorou muito com o passar dos anos. Antigamente, quando o locutor da rádio dizia que ia fazer sol, era melhor levar capa, guarda-chuva e galocha porque, fatalmente, ele iria errar. Isso foi muito motivo de piada. Outros métodos foram criados como o sujeito que dizia que ia chover quando o calo do pé doía ou aumentava a dor nas costas; alguns animais mudavam seus hábitos de acordo com a situação também. Nossas mães é que faziam excelentes previsões: quando elas nos orientavam a levar um casaco, mesmo num dia ensolarado, era melhor ir totalmente equipado para um dilúvio (como elas faziam eu nem imagino, mas era bem assim mesmo). 

Da minha infância, além do “leva casaco” da mãe, dois enfeites artesanais faziam as previsões: o “galinho” que mudava de cor e a casinha do tempo (a mesma que falei outro dia). Gosto dessa casinha e já presenteei algumas pessoas com ela (eu mesmo não tenho uma porque acho que é uma das coisas que a gente tem que ganhar) e até pesquisei sua origem (procure no Google), mas não encontrei nenhuma história associada. 

Resolvi, então, criar a minha e vamos ao “senta que lá vem história”: 

Lá do outro lado do oceano, havia uma floresta de vegetação bem densa, com árvores frondosas, parecida com aquela que morava a vovozinha da Chapeuzinho (lobisomem) Vermelho, da bruxa do João e Maria (aquela que era toda feita de doce), dos Sete Anões, onde o caçador não tirou o coração da Branca de Neve... você entendeu, né? Nessa floresta, claro, havia uma casinha também, onde morava um simpático casal que produzia as melhores tortas de maçã (não envenenadas) da região. De tempos em tempos, eles iam até o vilarejo mais próximo, para vender sua produção. Só que, por motivos diversos, o casal só ia junto em dias nublados; nos demais eles alternavam: dias de sol, ia a senhora; dias de chuva, ia o senhor.
Por muitos anos essa foi a rotina, até que eles ascenderam a outros planos e sua história ficou eternizada por um relojoeiro que descobriu as propriedades dos fios, feitos com vísceras de carneiro, que esticam ou encolhem de acordo com a variação da pressão atmosférica, havendo a previsão do tempo. Simples, não é mesmo? 


Boa noite! Eu sou o Narrador.

domingo, 20 de maio de 2012

O Limoeiro

♪"Meu limão, meu limoeiro 
Meu pé de jacarandá 
Uma vez tin-do-lelê 
Outra vez tin-do-lalá"♫ 

O mês de maio passou bem rápido: teve feriado (vários, entre nacional e municipais), perigeu (já falei muito da lua), encontros simpáticos (incluindo visita a Alice), cinema (pena que não posso ir toda semana) e umas comprinhas básicas. 

Às vésperas do início de mais um “inferno astral”, mas já entrando na casa do signo, tirei o domingo para tarefas básicas como baixar contas a pagar (IPVA), dar uma olhada naqueles e-mails de propaganda que, às vezes, tem alguma promoção interessante, jogar fora alguns arquivos que já não possuem utilidade, tirar uma fotos, terminar de ler um livro “encalhado” e encerrar o dia escrevendo este texto ao som da JB FM. 

Só que, aí, já que tudo está em “compasso de espera”, onde fica a inspiração? Inventar histórias não é uma coisa simples: se eu fosse mineiro, como ouvi o Lô Borges dizer uma vez, bastava olhar para um bule de chá que saía uma música (no caso um texto); e o que fiquei olhando mesmo foi o limoeiro do vizinho.

Há dois anos, de tão pesado que ele estava, carregado de limões que pareciam “bichados”, ele entortou e lançou os braços para o meu lado do quintal (os cipós de abóbora fizeram a mesma coisa recentemente). Meio na dúvida se dava pra consumir tal iguaria, resolvi experimentar e achei o gosto muito bom. Para fazer caipirinha tenho lá minhas dúvidas, mas para limonada é sensacional. Nisso, pensei: “Oba! Agora tenho vitamina C para dar e vender!” Aos poucos, os limões foram ganhando um tom dourado e o limoeiro, carregadinho, enfeitou a divisa dos quintais. No ano seguinte, nada aconteceu, mas este ano já está ele de novo carregado. 
Vai limonada aí?

                                                            2010

                                                            2012

Boa noite! Eu sou o Narrador.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Cai a chuva

Depois de muita correria no início do ano, numa mistura de trabalho e um passeio às terras mais ao sul, onde o Natal demora para terminar (só termina mesmo amanhã), um final de semana de descanso foi bem vindo. 

O outono próximo (sim... por aqui são nove meses de inverno e as estações ficam misturadas nos três meses que sobram) deu o ar da graça e a temperatura caiu. 

Coincidindo com a “sexta-feira 13” veio a chuva e a programação de descanso ficou completa (digamos que foi “sorte”).

Algumas pessoas não gostam de dias chuvosos: ficam deprimidas e com sono; outras são mais ativas, passam na locadora e alugam vários daqueles filmes que não valem a pena ver no cinema, mas que podem divertir em casa comendo pipoca e tomando guaraná; outras, muito mais ativas, levantam seu móveis, mandam seus filhos para a casa de parentes distantes e oram para que o temporal não leve à enchente e destruição; outros agradecem a quebra da estiagem. 

Fico com a parte bucólica da coisa: cheiro de mato, barulho da água caindo e folhas de árvore balançando.

Ai veio a ideia que compartilho: 17 tentativas depois, duas fotos para registrar o momento.


  Boa Noite! Eu sou o Narrador.

domingo, 10 de julho de 2011

A Bandeja Mágica

Num período de mudanças, com diversas atividades novas, às vezes é preciso dar uma paradinha e descansar num final de semana que precede o aumento das temperaturas mínimas para algo positivo e de dois dígitos (será?). A lua cheia está a caminho, seus admiradores aguardam ansiosos e novas histórias devem surgir por ai.
Enquanto nada disso acontece, o descanso gera arrumações, projetos, reflexões e vou contar essa história relembrando coisas bem antigas.
Sempre gostei de miniaturas e acredito que tal gosto surgiu da fascinação que eu tinha por uma pequena estante espelhada, embutida na parede da sala, que existia na casa da minha avó, onde pequenos bichinhos de vidro eram colocados. Chamava atenção um galo português que mudava do azul ao vermelho, dependendo se era dia de chuva ou de sol.
Por outro lado, nunca tive muita paciência para plantas. Um belo dia, visitando um estande de artesanato, vi algumas coisas em bambu e uma pequena jardineira de uns trinta centímetros de comprimento, cuja base era metade de um bambu cortado horizontalmente (ou verticalmente, dependendo do ponto de vista), onde haviam uns cactus, planta ideal para quem não curte ficar cuidando muito de plantas.
Aí surgiu a ideia de colocar a jardineira numa bandeja do mesmo material, feita exclusivamente para isso, e sai enfeitando sua volta com coisas miúdas, presenteadas por amigos ou não, e que possuíam algum significado para mim.
Na saída da montanha, deixei a jardineira com uma querida amiga (achei que não era legal levar terra para outras paragens), mas continuei a preencher a bandeja com outros mimos.
Sempre em renovação, os objetos mudam de lugar, alguns são substituídos (aqueles que perdem o significado sazonal), mas todos que estão lá possuem sua mágica própria.
Nesse fim de semana, resolvi fotografar a montagem atual e compartilhar com os leitores. Lembranças... elogiar o passado... isso é tudo de bom!


Bom dia! Eu sou o Narrador.