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segunda-feira, 16 de março de 2026

Guerreiras do K-Pop

Uma das melhores maneiras de divulgar alguma coisa é falando mal dela ("falem mal, mas falem de mim") e, assim, fui ver (por aqui falam "assistir") o filme das "HUNTR/X".

O filme é muito bom, fala de superação, auto-estima, lutar contra seus medos e demônios, mas os ditos "protetores" das crianças da Internet, em seus tribunais técnicos (que de técnicos não têm nada), provavelmente viram cinco minutos do filme, encontraram "terríveis" demônios, ouviram duas frases de qualquer música e já transformaram o filme no "labubu" do cinema (se você nunca ouviu falar no "labubu", veja no Google).

De nada adiantou a tentativa de "lacração" dos pseudo intelectualóides: o filme e a música principal (Golden) ganharam todos os prêmios que podiam, incluindo Music Awards e Golden Globe.

A música, por sua vez, foi cantada a todo pulmão pelo mundo afora e fez muito sucesso com a criançada.  

No seu discurso no Golden Globe " Ejae, a artista, falou sobre como usou a música para lidar com a rejeição, e transformou em motivação. "

Agora, como fica a censura da Internet? Chupando, né... Veio o Oscar!

Pois é... 

Boa noite! Eu sou o Narrador 

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Velhas ideias, novos formatos

O ano novo chegou e programei uma série de tarefas que, teoricamente, tomariam os meus dias. Estou de férias, as pessoas foram para a praia, o silêncio impera, à exceção da fila que os aposentados fazem no bancos para receber seu benefício.

Fiz uma faxina profunda nos quartos e no banheiro, deixei a sala com uma limpeza básica porque boa parte das tarefas serão feitas nela, cozinha ok, área da cachorrada e lavanderia feitas, jardim recebeu ajuda profissional.

Já consegui especialista em pintura e reparos gerais, as persianas aguardam o retorno das férias assim como o tratamento dentário e outras consultas (é foda... quando você tem tempo, todo mundo está de férias).

Sobrou tempo! Vamos ver série! "Stranger things", já que terminou a saga agora e que já durava mais de 10 anos. 

Nem todo mundo sabe, até porque a geração "xyz" e o caralho não sabem nada, que os bons filmes e séries ficaram lá no passado na geração jurassica, a qual pertenço (dizem que sou da geração "baby boomers", mas... vtnc né...), que via televisão em preto e branco. 

Tudo de antigamente foi remasterizado, remakezado, copiado e Stranger things seguiu o mesmo roteiro.

O início é baseado nos "Goonies": pra quem não conhece, procura no Google. Aliás, as próximas referências também, mas elas não seguem uma ordem cronológica. 

O monstro (sim... é spoiler... foda-se) inicia como sombra, vira fantasma (Winona Ryder conhece isso muito bem), vira múmia e tudo já apareceu no cinema. "Predador"... lógico, não pode faltar.

Lembra dos "Gremlins"? Também tem uma pequena referência.

A foto de hoje tá na cara: "ET"

Bicho andando embaixo da pele, temos em "Alien". Saindo pela boca, temos  "Exorcista" e "A Múmia"

Arquivo X vai representado em tudo, inclusive nos agentes fumando muito com a cara do  "Canceroso" (Smoking Man/Cigarette Smoking Man).

X-men aparece nas crianças carecas e superpoderosas mantidas em cativeiro experimental e super secreto. 

Impressionante a referência a "Carrie - a estranha" --> só faltou a destruição total, mas teve até roupa suja e tals. Só que, aí, a menina tinha perdido os poderes. 

Em dado momento, a dublagem cita o "tapa na pantera

Apesar da falta de robôs, o filme "Exterminador do Futuro" é reconhecido de forma subliminar até o início da quinta temporada quando encontramos a Sarah Connor participando da série.

De passagem, ainda vimos "Anne with an e" fazendo uma ponta. 

Enfim... a trilha sonora foi muito boa.

Boa tarde! Eu sou o Narrador!


sexta-feira, 20 de junho de 2025

"Eu vou, eu vou, eu vou!"

O texto de hoje é para os chamados "Baby Boomers", ou dinossauros. A época do meu pai é bem antes disso, mas isso a gente comenta outro dia.

Apesar do título, que obviamente remete à uma musiquinha de infância para aqueles que enfrentavam filas imensas nos cinemas da Praça Saens Pena do Rio de Janeiro, no texto em questão eu não fui.

Dessa época eu guardo boas lembranças. Minha mãe ia comigo e meu irmão para ver os filmes da Disney e depois íamos ao Bob's para lanchar. Aliás, tenho que falar do Bob's que inaugurou aqui perto também, mas isso é história para outra ocasião. 

Eu gosto muito de cinema. Apesar dos seres "pré millennials" cantarem "liberdade é uma calça velha, azul e desbotada", descobri que ir ao cinema sozinho, na adolescência, é que era liberdade. Do cinema para o teatro para os shows e a "velha a fiar".

Onde moro, ir ao cinema já valeu três horas de viagem mas agora existe uma sala aqui perto que nunca tem fila. Só que nem sempre é possível ver todos os filmes e aí o streaming ajuda bastante.

Foi o caso do live-action da Branca de Neve.

A Disney lançou outro dia e fui lá conferir. É muito mais um filme para adolescentes e  adultos do que diversão infantil. O filme com a Lily Collins foi muito mais divertido e apesar da Julia Roberts ser imbatível foi uma ótima distração. O outro da aprendiz de vampira e o thor eu não gostei.

Voltando ao live-action, lógico que a Gal Gadot é infinitamente mais bonita que a Rachel Zegler. Só que essa foi a grande sacada do filme: Branca de Neve assume o papel de "mais bela" quando passa a mostrar seu interior mais bonito e o filme passou a valorizar as boas ações e não a beleza da futilidade e riqueza. 

Pena que a crítica, hoje em dia, só se interessa pela postura dos atores frente às suas opiniões pessoais, a forma como o filme lidou com os anões (gostei da forma "smurf" subliminar) e outras babaquices e "mimimi". 

O filme foi bom e foda-se o resto.


Bom dia! Eu sou o Narrador 

terça-feira, 15 de abril de 2025

Quando a quinta série volta pra você

O sujeito tem uma filha que hoje completa nove anos. Aproveitou a proximidade do evento e foram, os dois, comemorar no Beto Carrero!

Lugar sensacional, um calor danado que é amainado por algumas atrações onde sair molhado é regra (muito molhado).

Na hora do almoço, ele escolheu a atração Excalibur que é um teatro com uma história do Rei Arthur, espada na pedra, cavaleiro negro e uma competição acirrada entre quatro cavaleiros e suas torcidas, separadas pelas cores das mesas.

E aí vem a bateção ao som de "We Will Rock You" do Queen, muito aplausos e vaias da torcida e começa a descer a quinta série nos adultos enquanto boa parte das crianças não tinham a menor ideia do que estivesse acontecendo. 

Tanto que, quando servido o lanche com hamburguer e batata frita, os adultos comeram e as crianças esqueceram (os adultos comeram duas vezes -- que bom--- estava uma delícia).

Chega a período da tarde, pelos cantos vários componentes das diversas excursões já mostravam sinais de exaustão e faltava chão para todo mundo sentar.

Encarou o Portal da  Escuridão, onde sua filha saiu correndo e acabou que ele não viu nada e ela curtiu assim mesmo; seguiram atrações radicais como carrossel, mini montanha russa e a temível xícara que roda e roda até ele quase vomitar.

Exaustos, voltaram para o hotel e caíram no sono após um lanche pelo caminho.

No dia seguinte foram ao shopping. Viva as Lojas Pernambucanas e compraram sandália e sutiã (filha já está crescendo... mas esse acessório ainda não tem uso... enfim...🤦).

Cinema na sequência. Imagina: juntaram Jack Black, Aquaman, Enid lobisomem do filme da Wandinha e até a mãe do Stifler num filme de video game com peças de Lego que não são lego e que chamaram de live action do Minecraft! Aí a quinta série vibrou.

Diversão garantida e tudo terminado, retorno pra casa.

Parabéns, filha!

Bom dia! Eu sou o Narrador.


domingo, 6 de abril de 2025

Uma série com final

Quando eu era criança (ao menos cronologicamente), eu via na televisão várias séries de ficção científica como Perdidos no Espaço, Túnel do Tempo, Terra de Gigantes e Jornada nas Estrelas (Star Trek), mas essa última eu só comecei a ver mais velho, porque meus pais achavam que ela não era para crianças.

Além de serem de ficção científica, essas séries tinha um fator em comum: nunca terminaram e nunca soubemos o que aconteceu com os sujeitos perdidos no planeta gigante, no passado ou futuro e os perdidos continuaram perdidos no espaço.

Mesmo com algumas tentativas de remake, no caso de Perdidos no Espaço, a única série que criou spin off foi Star Trek e, na semana passada, eu consegui assistir aos dois últimos episódios, dos 172 vistos, das sete temporadas que foram de 1995 até 2001.

Entre episódios sem graça e de "enche linguiça", a grande maioria foram excelentes. Os personagens praticamente não mudaram e a grande mudança foi a personagem "Sete de Nove" que deu outra vida à saga a partir da quarta temporada, substituindo a personagem "Kes", como contraponto à capitão Janeway (como Spock fazia com Kirk na série original).

A resenha que encontrei na Internet foi a seguinte:

"A saga "Jornada nas Estrelas" tem sua continuação nessa série que introduz, pela primeira e única vez, uma mulher no comando de uma frota espacial. A recém-lançada USS Voyager, comandada pela Capitão Kathryn Janeway, recebe a missão de perseguir uma nave inimiga da Federação Unida de Planetas. Durante o trajeto, atingidos por uma força misteriosa que aniquila boa parte da tripulação da espaçonave, são alçados a uma distância de 70 mil anos-luz da Terra. Perdidos numa remota região da galáxia, conhecida como Quadrante Delta, a capitã e sua equipe precisam achar o caminho de volta para casa. É o início de uma longa jornada de desafios e conquistas para a Voyager e sua tripulação.
Primeiro episódio: 16 de janeiro de 1995 (EUA)
Emissora original: United Paramount Network
Episódio final: 23 de maio de 2001
Criadores: Gene Roddenberry, Rick Berman, Jeri Taylor, Michael Piller
Criado por: Rick Berman; Michael Piller; Jeri Taylor"

E aí? Será que eles acharam o caminho de volta para casa?



Eu sou o Narrador!

sábado, 7 de janeiro de 2017

Cinema de Animação

Quando surge a inspiração temos mais é que aproveitar, principalmente quando há tema e tempo. Já contei algumas vezes sobre meu gosto por cinema, incluindo filmes de animação (só não gosto muito é de filme de cachorro, mas isso eu explico outro dia) e, para minha sorte, surgiu um cinema na localidade que passa lançamentos. Na última quinta-feira eu aproveitei o lançamento de “Moana – Um Mar de Aventuras”, uma animação sensacional dos Estúdios Disney, que a imprensa insiste em relacionar como “filme de princesa que não é princesa tradicional”, “sem a pretensão de seguir à risca a receita básica dos filmes de princesa”, “filme feminista”, e outras coisas do gênero. 

O filme é simplesmente lindo e a personagem é doce, corajosa, determinada, humilde e todos os elogios seriam pouco para caracterizar a pequena Moana. Ela não é princesa (se bem que herdaria a liderança de sua aldeia pelo simples fato de ser a filha única do chefe), o filme não é um conto de fadas e sim uma grande aventura sobre a Polinésia e uma lenda, contada logo no início pela avó da protagonista (prestem bem atenção nesse início porque ele é fundamental para entender o restante). 

Algumas boas mensagens subliminares, boas piadas, um frango interessantíssimo, um porco que fez somente uma ponta e um semideus bufão (quem sabe “bundão”) que foi fundamental para que o mundo fosse salvo. Muita emoção de verdade o tempo todo, dá pra conversar com as crianças sobre a “moral da história”, e vamos parar com isso de "princesas da Disney" fragilizadas porque desde a Fiona do Shrek e do surgimento das heroínas das distopias que esse conceito já se foi há muito tempo. Século 21, não é mesmo? 

Em Curitiba fui atrás de “Sing – Quem Canta Seus Males Espanta” que também é muito bom, mas virou fábula e a história é bem mais adulta, já que é uma comédia musical animada (os pais curtirão mais que os filhos e sairão dançando do cinema – isso eu vi, ninguém contou!). Destaques para a dublagem da elefoa Meena (a voz da Sandy é inconfundível), mas quem canta em português é a Wanessa Camargo (dubla a porco-espinho Ash). 

“Cinema é a melhor diversão!” 'Bora assistir a sessão da meia-noite com o Tom Hanks em “Sully”... mas isso eu conto depois.

 Boa Tarde! Eu sou o Narrador.

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

História da sua vida

” - Não tenho certeza se estou pronta para ter filhos. Perguntei a uma amiga minha que é mãe: Imagine que eu resolva ter filhos. E se eles crescerem e me culparem por tudo o que há de errado na vida deles? Ela riu e disse: O que você quer dizer com “se”?” (Ted Chiang)

Cinco dias depois e nada fica claro, só a sensação de que lidamos com algo muito maior do que entendemos o que me fez pensar na sua história: não acontecer desviou o nosso rumo em alguns anos, mas o que se veria hoje seria aproximadamente o mesmo. 

Vamos supor que o destino te fizesse mais forte e aqueles mínimos três ou quatro meses virassem anos: algumas diferenças seriam deixadas para depois, mas assim que sua mãe notasse (na realidade ela descobriu tudo bem antes) que ao invés de solução você seria oposição, ela tentaria transformar sua existência em algo detestável... sorte que eu estaria atento à essa possibilidade (chamaria de “efeito bailarina”, pois acontecera algo semelhante antes)... sorte que aquele momento de maus tratos, que todos veriam, que não era birra, onde eu chegaria logo a seguir, pegaria você no colo, levaria ao hospital e o apêndice extirpado de forma rápida deixaria pequenas cicatrizes que hoje você procuraria, mas nem imaginaria aonde estariam... sorte que a juíza acreditaria na história (muitas testemunhas)... sorte que você, pequenina ainda, contaria tudo como “gente grande”... sorte que iríamos embora, mesmo que para perto, e após um tempo, mais adiante, para bem longe depois.

Sei que no dia do ciclone você pensou nisso, mas hoje contei outras coisas que você não saberia (ou preferiria esquecer). Quanto frio passaríamos, não é mesmo? E os detestáveis “apagões” que te deixariam “longe” dos seus inseparáveis amigos? Falando dos amigos, o quanto sua bondade e clareza de raciocínio evitariam que eles sofressem, quando me contasse sobre as coisas que acendiam seus alertas? Faríamos uma boa dupla: melhores amigos para sempre, ou BFF como você preferiria dizer. 

Só que chegaria o tal momento do “adeus” e creio que ele estaria muito próximo hoje; nesse finalzinho você riria muito das dificuldades que eu teria com suas coisas de menina (lógico que eu receberia muita ajuda), enquanto arrumaríamos suas bonecas e outros brinquedos para a lição de desapego. Você iria (ou ficaria) enquanto eu ficaria (ou iria). Aos poucos o riso daria lugar ao choro convulso, inevitável, não fosse a súplica dela que insistiria que você ficasse e, se necessário, ela iria em seu lugar. O que seria o curso natural dessa evolução ensandecida de uma vida condenada? 

:Num pasto, na esperança de ser abduzida, Ana a encontra: “Não virão hoje... o que faremos?” 
Ela se cala... Fez-se o silêncio.





Boa Noite! Eu sou o Narrador.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Os Segredos da Força

Demorei dois meses para ler o livro “Não conte a ninguém” do Harlan Coben, que nem de longe guarda alguma relação com o simpático “Refúgio” que já falei aqui, pois não passa de um “novelão” que daria vergonha a Janete Clair. 

O autor esticou a história de todos os modos possíveis e deixou algumas coisas para as últimas páginas. De qualquer forma cumpri a dura tarefa e já posso partir para outros que estão na fila e que prometem bons momentos de leitura. 

Hoje foi um daqueles dias muito frios de verão (ué? Verão não é calor?), onde imperou o vento e a neblina. Pelo que a amiga Zilda explicou, o “inverno veio tirar suas férias de verão por aqui” e o casaco volta ao trabalho. Na contramão da literatura discutível, terminei o dia no cinema e aí sim consegui uma história de verdade, mesmo que sendo de mentira (bom... isso também é difícil de garantir). 

Um spin-off da saga Star Wars estreou hoje mundialmente (o que inclui as paragens daqui também): "Rogue One" conta uma história tirada, possivelmente, de uma frase perdida no roteiro original de algum dos filmes de base. Sensivelmente voltado ao público adulto, seguiu a mesma linha do “Animais Fantásticos e onde habitam”: um spin-off para o público que cresceu admirando as guerras interplanetárias e acreditando no mantra: "Que a Força esteja com você”. 

O texto de hoje é bem curtinho mesmo. O ideal é ver o filme, ler o livro somente se sua sobrinha te emprestar (e não comprar para dar de presente pra ninguém) e entender que existem coisas muito grandes por aí que podem (e vão) mudar o nosso destino.  

 
Boa Noite! Eu sou o Narrador.

domingo, 20 de novembro de 2016

Animais Fantásticos e Onde Habitam

”Cadê o livro que ensina a receita dos feitiços? Aonde foi parar a garrafa jogada ao mar com o gênio ou a mensagem secreta?” 

Acordar cedo aos domingos é um hábito que cultivo, na contramão da maioria das pessoas que preferem dormir até mais tarde. Tenho que concordar que prolongar o período de permanência debaixo das cobertas é bom, mas é preciso estar dormindo mesmo: caso contrário os pensamentos podem seguir por caminhos dolorosos e a solução seria levantar e partir para outras atividades. 

"São as nossas escolhas, mais do que as nossas capacidades, que mostram quem realmente somos. Chegou a hora de escolhermos entre o que é certo e o que é fácil." Alvo Dumbledore 

Hoje faz frio... há dias faz muito frio... são nove meses de inverno (lembra que já contei sobre isso?)... talvez, em um mês, venha o verão, mas enquanto isso vou contar coisas mágicas que aquecem os nosso corações. 

Fiquei muito empolgado desde que soube, há pouco mais de 16 anos, que um personagem mágico fora criado e que os livros sobre sua história seriam lançados no Brasil¹; finalmente começaria uma nova era na literatura e que daria frutos dos mais diversos. Acompanhei toda a saga literária e cinematográfica e já vi as reprises televisivas um sem número de vezes (e como se fosse a primeira vez). 

"Emocionante não é? Quebrar as regras." Hermione Granger 

Ontem tive a chance de ver “Animais Fantásticos e onde habitam”, spin-off da série e que é a história da criação de um dos livros didáticos utilizados em Hogwarts, cujo autor seria Newt Scamander interpretado pelo ator britânico Eddie Redmayne² que dá ao personagem a intensidade necessária para demonstrar todo o amor aos animais que cuida em sua valise. 

"Pode se encontrar a felicidade mesmo nas horas mais sombrias, se a pessoa se lembrar de acender a luz." Alvo Dumbledore 
"Afinal, aquilo que amamos sempre será parte de nós." Harry Potter

Aliás, podemos dizer que estamos diante de uma história de amor, ou várias histórias, facetada e contada de forma bem mais adulta que a maioria dos contos de fada: definitivamente o filme não é para o público infantil (segundo a crítica especializada “Trata-se de uma obra mais adulta. Afinal, quem cresceu com a franquia, já é adulto hoje em dia. Mas não se preocupem, não vai faltar magia.”). 

Completando o dia, a Warner deixou, de presente, a parte 1 e 2, em sequência, de Harry Potter e as Relíquias da Morte… podia ser melhor? (vou pular essa resposta…). E se ainda existe dúvida sobre onde foi parar o livro dos feitiços, o gênio ou a mensagem secreta, que tal sair de bicicleta, sentir o vento no rosto, apreciar o céu azul e deixar crescer o amor que existe dentro de nós? 

"As coisas que nos pertencem acabam voltando para nós. Bom, nem sempre da forma que esperamos" Luna Lovegood  

  
Boa dia, bom domingo! Eu sou o Narrador.  

¹O lançamento da edição brasileira de “Harry Potter e a Pedra Filosofal”, pela editora Rocco, foi em 1 de janeiro de 2000. 
²Eddie Redmayne ganhou o Oscar de melhor ator principal em 2015 pelo filme “A Teoria de Tudo”, interpretando Stephen Hawking

sábado, 1 de outubro de 2016

Passaredo

- Já falei que dragão não é um pássaro! 
- E quati também não fala e nem por isso eu deixo de conversar com você! 
- Falei que você deveria ter visto “Pets”... pelo menos não teria discussão! 
- Chega! Vou voltar ao texto! Enquanto isso, Quati e Tob: vão lá na tia Zilda conversar um pouco sobre a saracura e o jacú que apareceram lá no quintal da casa dela e me deixem em paz um pouco! Ah! Esses pelúcias me deixam doido às vezes! 

Leitores! Cordial boa noite! O imaginário é repleto de surpresas e nunca saberemos direito o que vamos encontrar. Nos últimos dias resolvi fazer o circuito de cinema e, coincidentemente, nos três filmes escolhidos alguns (ou quase todos) protagonistas voavam. Pássaros são seres interessantes tanto que, no passado, ficavam presos nas gaiolas (só no passado?) e alguns, como os periquitos, eram criados em cativeiro. 

A grande atração do final de semana seria (e foi) “O Lar das Criança Peculiares”, baseado no livro (trilogia) “Miss Peregrine's Home for Peculiar Children”, romance de estreia do autor americano Ransom Riggs e levado às telonas pelo Tim Burton. Miss Peregrine é uma “ymbrine” que possui a peculiaridade de se transformar em pássaro e criar uma fenda no tempo, onde essas crianças permanecem escondidas no melhor estilo X-Man. Para quem leu o livro o filme deve ser péssimo, mas eu achei o máximo e vou ficar com a versão cinematográfica mesmo. Quem tiver a chance de associar livro e filme não deixe de fazê-lo. Apesar do apelo infantojuvenil, levar crianças com menos de dez anos de idade pode ser um desastre (é um filme bastante complicado de entender – algo para os fortes). “We keep at safe, we created a time loop, the loop produces the last twenty four hours, restarts the loop and can stay here forever!” 

No mundo da imaginação, o filme “Cegonhas” traz de volta a velha história onde essas aves eram responsáveis pelo “nascimento” das crianças, e era a explicação padrão para o surgimento do “irmãozinho(a)”. Com a novela das oito (que passa depois das nove), essa lenda já acabou faz um bom tempo. O desenho é divertido para os adultos que levam as crianças, pois elas mesmo não entendem nada. A velocidade dos diálogos e as histórias paralelas que surgem tornam a coisa impossível para o entendimento infantil. Ah! Um alerta final: se você não admite, nem na imaginação, que uma criança trazida por uma cegonha tome leite de mamadeira e receba um banho de talco para ficar cheirosa, melhor desconsiderar, definitivamente, a ideia dessa animação ser um bom programa infantil.

Finalmente chegamos ao “Meu Amigo, o Dragão”, remake do original de 1977 (era um musical) que eu não lembro como era, se é que eu vi. Ah! Esse é um filme infantil: narrativa em voz de fada, crianças espertas, adultos babacas e o simpático dragão, lógico! De bônus os adultos levam a participação especial do Robert Redford e é só isso mesmo.

Como cereja do bolo, ou a pena que faltava, para os momentos alados, ganhei uma simpática coruja de uma amiga que esteve em Ouro Preto. Feita em pedra sabão, ganhará posição de destaque no armário mágico, para que possamos levar altos papos, do melhor estilo “cabeça”, mesmo que haja algum ciúme por parte dos pelúcias.

♪”Bico calado... Muito cuidado... Que o homem vem aí”♫

   


Boa Noite! Eu sou o Narrador.

N.N: Novamente Nick Fury apareceu: seria ele um X-Man ou um peculiar?

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Voilà mon Jardin

Philippe Ledoux tinha uma amigo que se chamava Jacques e que morava numa quitinete. Na primeira vez que foi visitá-lo em casa, achou que era outra coisa e seguiu-se o seguinte diálogo: 
Philippe : C'est ta chambre ? Elle est grande ! (Phillippe pensou que era o quarto e não o apartamento todo.) 
Jacques : Ma chambre? Non! C'est mon appartement. 
Philippe : Ton appartement ! 
Jacques : Mais oui, tu es dans mon bureau. (Havia uma mesinha, logo na entrada, que Jacques dizia ser o escritório) 
Philippe : Et là? Qu'est ce que c'est ? 
Jacques : C'est ma cuisine. (onde havia um fogareiro – não havia micro-ondas à época – e uma pequena pia). A gauche, voilà ma chambre. (do lado esquerdo havia um sofá-cama) 
Philippe : Et voilà ton jardin ! (pegando um vaso de planta) 

Essa história era a segunda lição do livro “La France en Direct” (na primeira, eles combinaram essa visita por telefone), base do método chamado de “Capelle” e utilizado na Aliança Francesa do Rio de Janeiro e também no Colégio Marista São José, onde o francês era ensinado no primeiro e no segundo ano do antigo curso “Ginasial” (isso foi lá no início dos anos 1970). 

Estudei na Aliança até o final do segundo grau, quando fiz a prova de conclusão e obtive o “Certificat d’Etudes Pratiques et Apprentissage de Langue” (CEPAL) e comecei o curso superior (NANCY), mas meu objetivo era outro e parei o curso após um semestre. Foi uma época muito interessante, pois uma das características da Aliança era acontecer em casas do tipo residenciais, onde os cômodos eram adaptados para salas de aula. Os primeiros dois anos foram na sede da Clóvis Bevilácqua, na Tijuca, e a minha sala era num “puxadinho” que deve ter servido como oficina, estufa ou área de serviço; depois a sede foi para a Andrade Neves e já era uma casa mais sofisticada para a época. Nessa segunda etapa, havia um pequeno teatro onde conheci o trabalho (e o próprio) do Oswaldo Montenegro que lá apresentou sua peça de estreia “João sem nome” em 1975. 

Nunca tive jeito com animais (salvo as aranhas, lagartixas e os pelúcias) e muito menos com plantas. A bandeja mágica começou com uma jardineira e depois evoluiu até uma cristaleira, sendo que a jardineira deixei com minha amiga Patrícia. Só que, há algumas semanas, recebi um belo presente da amiga Sarah: uma planta – Serissa – num esquema de hidrocultura que, no final das contas, é a melhor coisa para o jardineiro preguiçoso, pois não dá qualquer trabalho para a manutenção. 

Juntando tudo, lembrei do Philippe Ledoux zoando o Jaques, da Aliança Francesa e do Oswaldo Montenegro que conta a história do grupo que veio de Brasília para o Rio de Janeiro (citando a Aliança Francesa) no filme “Leo e Bia”, que eu já vi algumas vezes e que ele próprio disponibilizou no Youtube. 

“Saudade é um elogio ao passado” 



Boa Noite! Eu sou o Narrador.

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Versão Brasileira

”De tempos em tempos, geralmente na lua cheia, o Mago procurava a cidade grande, onde readquiria algum poder, perdido no tempo, visitando alguns lugares e encontrando bons amigos. Geralmente voltava com víveres, não encontrados em “tão tão distante”, mas o que ele mais gostava era de ir ao cinema” 

“Cinema é a maior diversão”, já dizia Luiz Severiano Ribeiro, mas muita coisa mudou: o cinema de rua praticamente acabou (agora é nos shoppings e estabelecimentos semelhantes); o preço tornou-se proibitivo – minha mãe era professora estadual, levava os dois filhos e ainda sobrava uma grana para o lanche (imagina isso hoje em dia); a qualidade dos filmes tornou-se discutível. 

Minha primeira escolha para os dias de folga que, merecidamente, tive recentemente foi “Bom Gigante Amigo” uma associação da obra de Roald Dahl (conhecido principalmente por seus livros infantis, entre os quais figuram "A Fantástica Fábrica de Chocolate" e "Matilda"), Estúdios Disney e Steve Spielberg. Com essa coletânea de estrelas, fui na certeza de um ótimo espetáculo, mas não convenceu: história ótima, não explorada da forma correta; dublagem sofrível com erros de português inimagináveis num filme com a chancela Disney (era uma das características até das historinhas em quadrinhos: não falar ou escrever errado), pois o gigante falava atrapalhado mas a tradução poderia passar sem o “ouvo” numa referência ao verbo ouvir (“ouço”). 

- Ah! Você foi numa sessão dublada? 

Filmes dublados são comuns na televisão, até para garantir um acesso legal ao público em geral. No cinema eles ficavam restritos (ou quase) aos filmes destinados às crianças pequenas que ainda não sabem ler. Felicidade dos atores dos estúdios AIC e Herbert Richers que, agora, praticamente todos os filmes do cinema possuem versões dubladas num número maior de sessões que as legendadas (aliás, é interessantíssimo frequentar a sala de espera de um desses estúdios, porque você escuta todas as vozes dos desenhos animados e você não imagina quem esteja falando). Essa ideia é interessante, mas pode apontar para uma “preguiça” ou incompetência do expectador para ler as legendas, sem contar que prejudica os deficientes auditivos (que já andaram reclamando disso tudo). Por conta disso, a sessão que assisti era dublada mesmo (mas era em 3D e essa parte foi ótima). 

O outro filme abriu espaço para falar das Olimpíadas que é o assunto do momento (depois do Pokémon, dos julgamentos políticos, do preço do feijão, do leite, etc). Explico: fui assistir “A Lenda de Tarzan”.

- Mas o que isso tem a ver com as Olimpíadas? 

“Johnny Weissmuller, nascido János Weißmüller (Timişoara, Romênia, 2 de junho de 1904 — Acapulco, México, 20 de janeiro de 1984) foi um atleta e ator norte-americano, famoso por interpretar Tarzan, o personagem de ficção criado pelo escritor estadunidense Edgar Rice Burroughs. Antes de entrar para o cinema, Weissmuller teve uma carreira excepcional como desportista, tendo conquistado cinco medalhas de ouro nos Jogos Olímpicos de 1924 e 1928. Ele estabeleceu 67 recordes mundiais de natação e ganhou 52 campeonatos nacionais, sendo considerado um dos melhores nadadores de todos os tempos.” (Fonte:Wikipedia) 

- Ahhhhhhhh!

Depois da explicação, o filme foi bom: dublado, vi no último horário do dia e teve o famoso “grito do Tarzan” que também foi obra do Johnny Weissmuller, pelo menos até a revelação de que macaca Chita, fiel escudeira do Tarzan, era um macaco e que, segundo o site Porco Espírito, o grito também era uma dublagem... será? 


  
Boa Noite! Eu sou o Narrador.  

N.N.: Agradeço o trabalho de nosso estagiário, o Quati do Narrador, que conseguiu a autorização da Sofia Leitão para o uso da tirinha do Porco Espírito.  

N.N.2: O que fazia o Samuel L. Jackson (vulgo “Nick Fury”) no filme do Tarzan? Seria o Tarzan, realmente, o primeiro Vingador, ao invés do Capitão América?

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Entendeu ou quer que eu desenhe?

”O homem é a única criatura que consome sem produzir. Não dá leite, não põe ovos, é fraco demais para puxar o arado, não corre o que dê para pegar uma lebre. Mesmo assim é o senhor de todos os animais. Põe-nos a mourejar, dá-nos de volta o mínimo para evitar a inanição e fica com o restante.” 

A expressão que dá título ao texto de hoje é considerada, na pior das hipóteses, uma grosseria, caso o objetivo seja chamar alguém de “burro” quando isso recebe a conotação pejorativa de pessoa sem inteligência, idiota, ignorante ou qualquer outra coisa do gênero. Longe das ofensas, mesmo podendo causar tal efeito – o que não é muito difícil nos tempos atuais, onde tudo pode e vai ofender alguém – diria que é uma expressão utilizada por alguém que perdeu a paciência no ato de explicar o que lhe pareceu óbvio, e acaba sendo algo engraçado de observar. 

Mudar o significado das palavras é um artifício chamado "figura de linguagem" e a metáfora é a mais conhecida, sendo usada quando o objetivo é contar uma história de outra maneira, mantendo o contexto desejado. Dessa forma, George Orwell “sentou a pua” na Revolução Russa e nos deixou uma obra adaptável, perfeitamente, aos tempos políticos atuais em diversas regiões do mundo incluindo a nossa. Leitura que deixei para trás por absoluta falta de interesse no tema, já que fui criado durante a ditadura militar e a opressão fazia parte da dinâmica de sobrevivência diária. Informações censuradas, modificadas de acordo com os interesses dos dominadores, manipulação de ideias, autoritarismo e outras coisas que todos já ouviram falar também participaram do processo de alienação. Com o tempo, ficamos velhos, como o burro do livro, e passamos a entender melhor a informação que nos foi negada no colégio. 

“A Revolução dos Bichos” deveria ser leitura obrigatória nos colégios; uma fábula onde a metáfora é objetiva, criativa e educativa. Infelizmente a juventude não tem muita paciência para a leitura e aí entra o desenho! Em 1954 o livro foi adaptado para o cinema como desenho animado que deixo para meus leitores. Há outra versão, de 1999, que fica só o link em azul. 

Como última lembrança, deixo aqui um trecho da apresentação da versão digital do livro, escrito por Nelson Jahr Garcia, assim como um link para download: “Apesar de tudo o que alguns poucos homens já fizeram e lutaram, ainda estamos e vivemos sob os que insistem em dominar aquém da ética e além da lei.”



Boa Noite! Eu sou o Narrador.

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Vida em Preto e Branco

”A partir das cinzas das Ruínas as comunidades foram erguidas. Protegidas pelos limites, todas as lembranças do passado foram apagadas. Após a ruína, nós recomeçamos criando uma nova sociedade: uma com verdadeira igualdade. As regras foram os elementos básicos dessa igualdade. Nós aprendemos, quando crianças, regras como: usar precisão de linguagem; usar suas roupas designadas; tomar seu remédio pela manhã; obedecer o toque de recolher; nunca mentir."  

Conheci o termo “distopia” há pouco tempo, lendo uma observação de uma amiga. Quando fui procurar o significado, eu descobri que já falo do assunto há um bom tempo, mas não “liguei o nome à pessoa”. Segundo o site “Significados”, distopia “é um pensamento filosófico que caracteriza uma sociedade imaginária controlada pelo Estado ou por outros meios extremos de opressão, criando condições de vida insuportáveis aos indivíduos. Normalmente tem como base a realidade da sociedade atual idealizada em condições extremas no futuro. Alguns traços característicos da sociedade distópica são: poder político totalitário, mantido por uma minoria; privação extrema e desespero de um povo que tende a se tornar corruptível.” 

Hum... muito interessante! Nessa linha, eu citei algumas obras como "Divergente", "A Escolhida" e até "Idiocracia", mas existem vários títulos a respeito dessas situações inclusive um clássico, que está na minha lista para procurar futuramente, que se chama "1984" (mas foi escrito uns 40 anos antes). Há alguns dias tive a chance de ver o filme “O Doador de Memórias” e a imagem aérea da cidade futurística lembrou outro lugar que foi a cidadela de Machu Picchu. Acho que já comentei que somos o futuro daquela civilização, assim como de tantas outras, que somente nos deixaram lembranças em ruínas como as que conheci nas Missões Jesuíticas

Essas “distopias” invariavelmente mostram o domínio através de uma ideia que seria a verdade absoluta, e duas coisas são imprescindíveis: acabar com as lembranças, o que nem é muito difícil pois é só contar as coisas que se passaram de uma forma bem tosca e que gere desinteresse; controlar as atividades das pessoas, o que com as câmeras de segurança com vídeos editáveis e com as redes sociais tudo fica mais fácil. Traduzindo: vamos detonar o passado, incutir somente as ideias que nos interessam e assim o controle é absoluto. 

Hoje a amiga Andréa Pachá comentou uma lei de Xangai: “Temendo que os idosos passem a depender do Estado, a cidade de Xangai promulga uma lei obrigando os filhos a visitar e prestar assistência aos pais idosos, sob pena de serem incluídos em lista de restrições a crédito. Mais uma vez, um problema que deveria ser solucionado pelas relações culturais, afetivas e pela tessitura de uma rede de cuidado, ética e solidariedade, se transforma em norma. E caberá à Justiça a responsabilidade pelo envelhecimento. Seguimos espectadores da judicialização da vida, não percebendo que ao terceirizar nossas responsabilidades a pretexto de economia e proteção, abrimos mão do protagonismo das nossas escolhas. Não há lei que nos faça mais humanos. Por melhores que sejam as intenções...” 

Acho que ela representou bem o caminho que, infelizmente, estamos trilhando: ao invés do respeito óbvio, leis são criadas para tentar resolver o abandono cultural. Outra representação que assistimos na TV paga é um programa que passa na GNT e que se chama “Vigiando a Vovó”. Nem preciso explicar muito a coisa, mas eu considero uma falta de respeito enorme às avós expostas pelos próprios filhos no trato com seus netos, principalmente quando se trata de cuidado “terceirizado”, onde os avós é que seguram a onda enquanto os pais trabalham. 

A lista de coisas é enorme e a manipulação da informação e da opinião aumenta, em progressão geométrica, a partir do momento em que se acredita em qualquer notícia sem a apuração dos fatos, onde até manchetes de sites de humor viram realidade.

Fica a reflexão para um dia frio: será que já somos uma distopia?

  
Boa Noite! Eu sou o Narrador.

domingo, 17 de abril de 2016

Releituras

Foi lá na adolescência que eu descobri o poder de fazer algumas coisas sozinho. Por conta de alguma trapalhada típica da idade, comecei a frequentar as salas de cinema desacompanhado e daí para outros espetáculos de lazer foi um pulo. Com o passar dos anos a coisa foi “piorando”, corri o risco de receber a crítica de ser onipotente e individualista, mas essa liberdade tem lá seus méritos e hoje, se for algo de lazer que me agrade, vou sozinho em qualquer situação, apesar de não enjeitar companhia. 

Ainda lá na adolescência, certamente antes de ir ao cinema sozinho, fui apresentado a exemplos de individualismo, vindos da ficção, sendo o Batman e o Superman os maiores ícones. Ambos órfãos, poderosos, encontraram no heroísmo e no combate ao crime, a solução para a solidão. Bom... mais ou menos... o Batman tinha aquele lance lá com o Robin, sendo o Alfred o grande acobertador da situação; o Superman pegava a Lois Lane de vez em quando, era uma coisa mal contada, ai ele deu uma sumida, ela casou com outro e teve um filho que tinha superpoderes (donde se conclui que seu marido recebera um super-chifre enquanto ela recebia uma super... deixa pra lá). 

Outro dia eu comentei da Coleção Vaga-Lume e tive a oportunidade de ver o filme “O Escaravelho do Diabo”, baseado no livro do mesmo nome. Nessa releitura para a telona houve uma adaptação contemporânea, incluindo telefones celulares e computadores, além de temas como bullying e déficit de atenção, que não comprometeu o conteúdo. O filme é ótimo, mas ficará pouco tempo em cartaz por conta do público que não tem ideia da importância da literatura infantojuvenil ali representada; na sessão que fui eu era o único espectador (onipotência e individualismo no nível “hard”). Claro que isso também tem outras causas além da falta de cultura : maior que ela ainda existe a falta de dinheiro mesmo, fruto da situação atual do país (quem vai sozinho ao cinema gasta menos). 

Voltando aos heróis, resolveram fazer um filme complicado, onde o Batman está velho e carcomido (não menos poderoso) e que resolve brigar com o jovem Superman. Seguindo a tendência de ignorar os fatos históricos e criar ódio entre os iguais, a história muda tudo o que se sabia a respeito da Liga da Justiça e até inventaram uma Mulher Maravilha “modelo Victoria's Secret” que é lindíssima, mas de fortona e gostosona não tem nada (Ah! Bons tempos da Lynda Carter!). Pra quem chegou agora, aquela turma da Geração Y, Z ou lá o que seja isso, talvez não faça a menor diferença. Fica a crítica por conta da minha turma que via essas séries na televisão como coisas inocentes e engraçadas, assim como nos quadrinhos em preto e branco. 

História... cultura... educação... quando teremos isso de volta? O alfabeto acabou, mas os jovens estão por aí. Vamos torcer para um país melhor, com coesão, sem egocentrismos, onde os representantes eleitos pensem mais no futuro da nação do que nos seus interesses pessoais. Deixemos, por fim, o “circo” para os personagens fictícios que alegram nossos momentos, solitários ou não, de lazer. Para finalizar, uma frase perfeita (como sempre) da amiga Andréa Pachá: “Será que depois desse triste espetáculo, seremos capazes de votar melhor e exigir a reforma política?” 

 
Boa Noite! Eu sou o Narrador.

sexta-feira, 4 de março de 2016

Do not go gentle into that good night

“Não adentre a boa noite apenas com ternura, 
A velhice queima e clama ao cair do dia, 
Fúria, fúria contra a luz que já não fulgura. 
Embora os sábios, no fim da vida, saibam que é a treva que perdura, 
Pois suas palavras não mais capturam a centelha tardia.  
Não adentre a boa noite apenas com ternura, 
Fúria, fúria contra a luz que já não fulgura…” 

Alguma vez na vida você já ouviu falar em “vilanelle”? Vilanelle é uma forma de poema que possui 19 linhas que são separadas em seis quartos, todos com três linhas, exceto a última, que tem quatro linhas. O interessante é que existem duas linhas que estão constantemente repetidas e que serão as linhas finais do poema. O exemplo que me fez estudar isso foi o poema de Dylan Thomas que dá o título ao texto de hoje e cujo extrato fez a abertura dos trabalhos. O trecho que eu escolhi foi recitado, em dado momento, pelo professor John Brand, personagem de Michael Caine no filme “Interestelar”, em dublagem. O poema original você encontra fácil no Google e nem vou deixar link; existem um sem número de traduções e poucas conseguem dar o tom correto da versão em inglês, mas quem fez a conversão para a dublagem realmente conseguiu associar o poema ao filme. 

Assisti “Interestelar” umas cinco vezes, na TV paga; é um filme gigantesco, muito complexo, repleto de situações técnicas que eu desconheço, mas é movido pelo amor à vida e à relação do pai com seus filhos, deixados para trás por conta da procura de uma salvação para a humanidade, já que os recursos naturais do planeta evoluíam para o esgotamento definitivo (nada muito diferente do que já se fala hoje em dia). 

Há algum tempo, quando falei do livro “O Doador de Memórias”, eu escrevi que “Amor é um sentimento que deve ser preservado; atitude é outra coisa completamente diferente”. O Professor Brand complementou minha frase falando que “O amor é a única coisa que transcende o tempo e o espaço”. No filme tudo isso fica muito claro: o pai teve a atitude, ficou ausente, jamais deixou de amar os filhos, mas não foi tão compreendido por um longo tempo que transcendeu também o espaço. Parágrafo complexo como o filme, mas não há como qualificar o que um pai pode fazer pelo amor aos filhos, mesmo que pareça ausência. Já tenho planos de discutir mais a respeito disso lá para agosto (quem viver lerá), mas já esbocei várias coisas nas Histórias de Leo e Mônica

Voltando ao filme, tem que ver com muita atenção e é melhor alugar para poder repetir várias vezes. Eu aproveitei as diversas exibições da TV paga, mas em breve deve rarear um pouco. De qualquer forma leia o poema, veja o filme e viaje até o infinito lembrando as palavras do Cooper (Matthew McConaughey): “Nossas maiores realizações não podem ficar para trás porque nosso destino está acima de nós.”  


Boa Noite! Eu sou o Narrador.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

The Sound of Silence

Na década de 1960, Simon & Garfunkel fizeram muito sucesso com a música “The Sound(s) of Silence”




Em 2016, Meredith Grey traria outra conotação ao barulho que o silêncio pode fazer... 

“In group settings, men are 75% more likely to speak up than women. And when a woman does speak up, it's statistically probable her male counterparts will either interrupt her, or speak over her. It's not because they're rude, it's science. The female voice is scientifically proven to be more difficult for a male brain to register. What does this mean? It means, in this world, where men are bigger, stronger, faster, if you're not ready to fight, the silence will kill you. Don't let fear keep you quiet. You have a voice. So use it. Speak up. Raise your hands. Shout your answers. Make yourself heard. Whatever it takes. Just find your voice and when you do, fill the damn silence.” 

Terça-feira, 23/02/2016, ressaca pós plantão: pronto para tirar um cochilo depois do almoço, lembrei que passaria a reprise do episódio 12x09 de Grey's Anatomy, série que ainda resiste com histórias inéditas e cheias de emoção. É bem legal ver a evolução dos personagens, mesmo que eles acabem morrendo mais do que os pacientes. Algumas “limpas” já ocorreram no elenco com tiroteios, acidentes de avião, acidentes automobilísticos dentre outros problemas e a única, digamos, “Highlander” é Meredith que sobreviveu às piores intempéries da série e ainda consegue manter alguma lucidez e bondade que eu não imagino que exista numa pessoa só (mas espero que exista, sem querer que ninguém passe pelo que ela já passou). 

Nesse episódio, dirigido por Denzel Washington, ela sofre uma agressão gravíssima e, em dado momento, até achei que ela não fosse sobreviver, mesmo com todos os recursos de ponta do hospital que trabalha e é uma das donas. Para seus colegas médicos (sua família, no final das contas) eu não imagino o que seria fazer o atendimento de uma pessoa tão querida e os destaques ficaram para sua cunhada Amelia e para seu fiel amigo Alex. 

Difícil não fazer spoiler, mas Meredith sobrevive sem grandes sequelas até onde se sabe e ainda ganha um “sermão” do eterno “Chefe” sobre o perdão. Excelente episódio, recomendo fortemente e ainda é possível ver alguma reprise nessa semana na TV paga ou procurar na Internet. Para ler a tradução da narração, clique aqui.  


Boa Noite! Eu sou o Narrador.

domingo, 10 de janeiro de 2016

Aparelho autônomo de respiração

“Eu sigo em frente, bem devagar, um mundo lindo e inexplorado abaixo de mim, flutuo silenciosamente, e o som da minha respiração quebra o silêncio. Acima de mim, nada além da luz trêmula, que é do lugar de onde eu vim, e é pra lá que eu voltarei depois. Estou mergulhando. Eu sou uma mergulhadora. Vou mais fundo. Vejo pedras rugosas e algas escuras. Na imensidão azul, um cardume de peixes prateados aguarda. Enquanto estou nadando, bolhas saem de mim e sobem oscilando como se fossem águas vivas. Verifico o oxigênio. Não tenho tempo que precisava para apreciar tudo, mas é isso que torna a experiência especial”. (“Aparelho autônomo de respiração” - redação de Leslie Burke*).

Passaram por uma sucata de um carro, uma árvore com raízes expostas e galhos retorcidos onde pousava uma ruína do que teria sido uma casa de madeira, viram um riacho e uma ponte de madeira que parecia bem firme, apesar de ser muito antiga. 

- Que lugar é esse? 
- Feche os olhos, mas mantenha a mente bem aberta. Aqui é um lugar onde os sonhos nunca deixam de ser realidade.* 

Num outro momento, há muito tempo, a bela menina de olhar decidido conta para seu novo amigo, inteligente e tímido, as histórias de Caspian e seu navio peregrino. Só que contar histórias não era bem a ideia e eles constroem um brinquedo que ganhou o mesmo nome da ilha de Nárnia (Terabinthian/Terabithia) e o acesso era através de uma corda pendurada numa árvore por cima de um rio. 

- Abra os olhos: o que você vê agora? 
- Não sei ao certo... 

O brinquedo era somente um lugar de encantos, cheio de mistérios e desafios que eles venciam em seu castelo no topo de uma árvore. Um dia eles foram embora, mas deixaram lá o seu mundo encantado. 

De certa forma, outros que vão embora também construíram seu mundo encantado, por onde brincaram ao longo de tanto tempo... 

- Foi isso que encontramos... 

Então deixo aqui um desejo em forma de feitiço: - Quando a noite parecer muito escura e sem fim, que uma breve luz passe por dentro de seus espíritos e traga muita tranquilidade, pois tudo que movemos para alcançar nossos sonhos é a grande razão de sempre estarmos aqui!




Bom Dia! Eu sou o Narrador.  

* Citação do filme "Ponte para Terabítia"

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Que a Força esteja com você!

Outro dia eu li um desabafo de uma mãe sobre a distorção milenar que existe a respeito do que é brinquedo de menino e o que é brinquedo de menina. Ela escreveu que, lamentavelmente, menino brinca com coisas de aventura e menina com coisas de casa e ela sugere a compra de um “sabre de luz”, para que as meninas também brinquem de coisas legais e mais interessantes do que lavar a louça. 

Uma coisa que eu tenho até certo orgulho de dizer é que, há bastante tempo, não acompanho mais as novelas da TV aberta. Sou do tempo onde o imaginário também aparecia nos folhetins das oito da noite e que pouco parecia com os dramas diários que vivemos, além de que, vamos combinar, haviam bem menos putaria baixaria cenas inadequadas para a televisão. 

Nessa época, também, começou uma tendência de “novelizar” o cinema e surgiram os chamados “blockbusters”, que são filmes que geram renda de tudo que é jeito através de brinquedos, videogames, roupas e acessórios. Claro que, como a grana é boa, o sucesso do primeiro filme leva a sequências intermináveis durante vários anos. 

O representante dessa tendência foi Guerra nas Estrelas (Star Wars), produção sensacional de 1977 que eu vi no cinema e que gerou duas continuações evolutivas e três retrospectivas (ficou esquisito, mas você entendeu). 

Agora veio mais uma referência à série, com um filme passando trinta anos depois sei lá de quando, para que a saga tivesse novo início e os fãs enlouquecessem. Só que agora ficou legal: começaram a dar uma “limpa” nos personagens antigos, que envelheceram, não sem antes mostrá-los no melhor estilo “que fim levou”; antes que alguém pergunte, não vi o Mickey Mouse por lá, mas a referência ao E.T. foi bem nítida; para manter a tendência atual, que comentei num outro texto, surgiu a figura da heroína que "pilotará" o sabre de luz, resolvendo o problema do brinquedo infantil (se a coisa fosse simples assim... bom... deixa isso quieto para comentários num outro dia). 

Por último, se você nunca viu nenhum desses filmes e deseja começar a acompanhar (porque isso não vai terminar nunca mais), temos as reprises na TV por assinatura e encontrei uma pérola que resolve o problema, em poucos minutos, de forma musical e, sem spoiler, vou deixar aqui o vídeo para quem quiser conferir.  

                          

Boa Noite! Eu sou o Narrador.

sábado, 28 de novembro de 2015

Momentos

Depois de duas semanas recheadas de tragédias surgiu, finalmente, a piada do sujeito que ganhou 2,5 milhões copiando textos da Wikipédia e isso deu abertura para que eu voltasse aos escritos aleatórios. 

”Há dez mil anos atrás” (se bem que foram sete) eu começava o movimento para o auto exílio, numa aventura totalmente inacreditável para a época. Os dias foram muito chuvosos, como agora, o sol tentava aparecer sem sucesso e nuvens carregadas escureciam as manhãs e as tardes, fazendo os pensamentos girarem em torno do que iria acontecer. 

O início foi um pouco conturbado porque a casa ainda estava em obras e, no final do ano, quase nada funcionava e não havia possibilidade de instalação de telefone, TV a cabo e internet. O contato com o mundo exterior aconteceu, mesmo, dez dias depois da chegada, por coincidência, no Dia de Reis

Com o passar dos meses, na Primavera seguinte, uma companhia para as noites de quarta-feira surgiu com a série Glee que já foi tema de muitos textos. Ao todo seis temporadas, sendo que as três primeiras foram boas e as sequenciais não seguraram a onda, principalmente depois da morte do Cory (Finn Hudson) Monteith. A ideia era dar continuidade com novos personagens, mas o grupo inicial era insubstituível, mesmo com o surgimento de excelentes atores/cantores no decorrer da série. Piorou mais ainda com a irregularidade de horário e ninguém sabia que horas a série iria passar. A tentativa de ganhar a TV aberta foi horrível, pois as dublagens deixaram muito a desejar e a edição (leia-se censura da própria emissora) acabou totalmente com o conteúdo dos episódios. 

No final das contas eu vi quase tudo, mas a última temporada eu não consegui acompanhar. Eu dou sorte com últimos capítulos e até assisti o último do E.R. e, recentemente, do C.S.I., mas de Glee não rolou. Dessa forma, comprei a caixa de DVDs com os seis discos finais e, com um esforço muito grande do velho DVD player (preciso levar para o conserto, principalmente o controle remoto que não funcionou de jeito nenhum), terminei o último disco hoje. 

”Há dez mil anos atrás” (se bem que foram sete) e nessa época também, houve uma conversa que poderia descrever o que foi Glee para seus fãs. O Mago encontrou o amigo (K)Clown que observava uma imagem digital com o halo do sol e, mesmo entretido, começou a falação que foi, mais ou menos, assim: 

" - Velho Mago: tudo na vida são momentos e todos os momentos são parte da sequência da vida..."

Considerando que o amigo não costumava falar dessa forma, o Mago retrucou: 

" - Você normalmente não filosofa!"

Ambos riram!

" - Veja: de um momento para o outro a esperança pode virar desilusão e desilusão pode virar felicidade; cada momento é eterno quando o relógio está quebrado e o tempo só para quando o cronômetro, em contagem regressiva, chega a zero!"

O Mago preferiu deixá-lo falar... 

" - O momento seria único se a vida não fosse cíclica, pois a Natureza é sábia... Só que os momentos nem sempre são assim! Um feitiço do mal vai passar, assim como o tempo, mas o momento do antídoto é eterno e vai além, pois são dois momentos depois da eternidade..."

Por fim, ele terminou o discurso dizendo:

" - Quando o momento se torna uma forma infindável de frases entorpecidamente ininteligíveis, é hora de parar e voltar a pensar um momento..."

O (K)Clown, então, foi embora. 

E assim foi o final de Glee: um grande momento, repleto de emoções, recordações e com um bônus de quase uma hora com retrospectivas e depoimentos dos seus atores principais. Ficará na saudade.


  
Boa Noite! Eu sou o Narrador.