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sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

Ressonância Magnética

Essa é a história do sujeito esquisito que tinha umas cicatrizes na face e um problema de saúde que o obrigava a fazer visitas frequentes ao "postinho" para renovar receitas.

Apresentava um deficit cognitivo que, associado a um descontrole na dose do remédio e/ou várias doses de aguardente que costumavam preencher seus dias, prejudicava o entendimento das suas demandas.

Um belo dia, ele foi ao posto sóbrio. O médico, interessado na resolução dos problemas do cliente, aproveitou a rara oportunidade para coletar dados da história, inexistentes até então.

O sujeito, então, contou que, anos antes, sofrera um acidente que ele não lembrava bem, mas sabia que ficou em coma vários dias e desenvolveu o problema de saúde atual depois disso. Além disso, havia alguma coisa que vazava secreção na nuca e que muito o incomodava.

O médico nem discutiu: trauma antigo na cabeça, problema neurológico e coisa que vazava era igual a ressonância magnética.

Muitos meses depois, a notícia da destruição de um aparelho de ressonância tomou conta das manchetes e o tal sujeito apareceu arrumado, sóbrio e com um presente para o médico.

Foi quando ele contou que o exame salvou a vida dele porque o que aconteceu no passado foi que ele tomou um tiro e o projétil ficou alojado na nuca; quando o exame começou a bala saiu, ricocheteou por toda a sala, destruiu o equipamento, todo mundo fugiu e ele saiu caminhando, trocou de roupa, passou na farmácia e comprou um band-aid para colocar na nuca.

Moral da história: quem trabalha com ressonância magnética deve usar capacete e colete a prova de balas... Afinal nunca se sabe o que vai acontecer.

Obs: Esta é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com qualquer coisa que tenha acontecido pode ou não ser mera coincidência.

 Bom dia! Eu sou o Narrador!

quinta-feira, 24 de julho de 2025

"Lavou? Tá novo!"

Ida Feldman falou: "Enquanto você estiver vivo, vai ter louça"

Essa frase foi tão significativa que fiz até um blog sobre isso (Pia da Cozinha).

Só que existe uma outra coisa que também está relacionada a lavar: a roupa suja!

"Lavar a roupa suja", da mesma forma que "Lavou? Tá novo", tem várias conotações, mas aqui o lance mesmo é a roupa suja que tem que lavar, principalmente se você tem criança em casa.

Função que dá um trabalho danado e que eu não tinha a menor vontade de fazer quando, digamos, "saí de casa", há mais de vinte anos (tenho blog sobre isso também, mas essa história eu nunca contei) e dei de cara com o problema. 

A opção que usei foi a lavanderia, mas não aquela tradicional onde cada peça de roupa tinha um preço: preferi a "por peso", ou "por cesto" ou lá o que fosse, de preferencia com a roupa lavada e passada (sim... antigamente a roupa tinha que ser passada senão ganhava o apelido de "roupa na boca do boi"). 

Quando vim para o sul e fui morar depois de "Far Far Away", não havia lavanderia e eu tinha uma assistente, contratada, que lavava e passava as roupas e aí comprei uma máquina de lavar e fiquei bom nessa função (mas sem essa de passar as roupas que foram adaptadas para não amassarem muito). O que acontece é que lavar roupa em casa requer varal, tempo muito bom para secar as roupas do tipo não ter geada, neve, chuva congelada e outros. Por aqui, essa boa condição somente acontece três meses por ano. 

Aí muita coisa rolou, entrou uma lava e seca (que leva horas para secar e deixa as roupas com cheiro de queimado) durante novo casamento, filha e aí teve aquele dia do cativeiro e ano bissexto (vide outros textos), fui expulso, saí de casa de novo, deu merda...

Falando em merda - pausa para um comentário - hoje veio o sujeito aqui em casa para limpar a fossa e a caixa de gordura. Sim! É assustador... 

Voltando... 

Mudei de cidade e de estado, mas tinha que lavar roupa e achei uma lavanderia muito legal, com muita tecnologia, lugar cheiroso e que resolve o problema até dos enormes cobertores, que são muito usado por aqui e as lavanderias tradicionais cobram uma fortuna para lavar (é melhor transformar em pano de chão e comprar outro). A tecnologia para secar também resolve o problema de passar (nem pensar em ferro elétrico).

Aliás, outro dia contei uma travessura para minha filha que fiz quando era criança. O ferro elétrico de antigamente era um equipamento parecido com os atuais e que você descobria que estava quente jogando umas gotas de água nele. Fazia o barulhinho do "sshiiiii" e a pessoa mandava brasa (isso foi quase um trocadilho, porque existiram uns ferros de passar que não usava eletricidade e sim brasa dentro deles). Eu achava isso muito interessante, mas um dia resolvi testar e coloquei a minha impressão digital do dedão nele. A dor foi imediata, corri para o banheiro, joguei água fria e surgiu a dúvida: ficar com a dor ou contar para a mãe. Nunca contei para minha mãe e nunca mais mexi no ferro elétrico.

Onde é que eu estava? Ah! Sim! Falando da lavanderia. 

Bom... Comecei a frequentar a LAVÔ e fiquei assíduo. É excelente, preço justo, em pouco mais de uma hora eu resolvo a roupa da semana, aproveito o dia que levo a cachorrinha no pet e tenho que esperar mesmo e ainda faço um lanchinho num posto de combustível perto.

Aí, outro dia, eu estava lá de noitinha e surgiu um casal com uma bebê que eram os donos. Em dado momento, perguntaram se eu era eu e tive a grata surpresa de que eles queriam me presentear pela assiduidade e por fazer tudo certinho (tem câmera né... lógico).

Nisso ganhei uma bolsa muito legal. Ainda ganhei uma ajudinha para centrifugar a roupa e tals e fiquei muito feliz.

Isso não é "publi" e sim amizade Muito obrigado! 


Bom dia! Eu sou o Narrador! 

sábado, 5 de abril de 2025

Enquanto você estiver vivo

Com alguma frequência eu faço uns "remakes" de alguns textos antigos. O de hoje, "pescado" dos outros blogs pandêmicos e pós pandêmicos, veio de mais uma lembrança e de uma discussão sobre o que fazer com a louça lavada: secar com pano de prato ou deixar escorrer para secar naturalmente. Eu prefiro deixar secar: depois de um tempo o pano de prato fica com um cheiro horroroso e passa para as louças, principalmente os copos.

Independente do que você faça, vou deixar o remake aqui embaixo. 

O ano era 2020 e, de um dia para o outro, a pandemia lembrou o apocalipse zumbi. Nas ruínas do que um dia fora o apartamento dos meus pais, onde passei boa parte da minha vida, eu e minha sobrinha dividimos o espaço com os poucos móveis restantes durante um tempo. O local era habitável para uma ou duas pessoas e suficientemente confortável desde que não fizesse muito calor ou muito frio.

Na cozinha tudo funcionava; a sala já não tinha mais o antigo piano e a mesa foi transferida para meu antigo quarto; o banheiro precisava de alguns reparos, não havia como aquecer o chuveiro e o banho frio era rotina que não chegava a incomodar no calor do final de verão. O quarto dos meus pais estava intacto, minha sobrinha morava nele e foi ela que teve o cuidado todo com o apartamento depois que meu pai foi morar de vez no interior.

Dividimos algumas tarefas, incluindo a louça. Depois de lavar, não havia escorredor e eu me divertia montando esculturas únicas com pratos, copos e talheres.

A ideia de fotografar veio daí... (mas usando escorredor - pena que eu não comecei antes). A ideia de um novo projeto, usando tais fotos, veio depois...

Tenho 3 blogs que estão listados por aqui em algum lugar: Contos de Fada?, Coisas do Narrador e Mais de Vinte Anos sendo que esse último descreve a vida na pandemia enquanto eu discorria sobre meus escritos.

Um dos textos falava de uma frase de Ida Feldman: "Enquanto você estiver vivo, vai ter louça" e enfeitava uma caneca que eu gostaria que ela mandasse pra mim um dia desses, já que faço propaganda e deixo até o link em azul 😆😆😆😆😆😆😆😆

Ela não mandou, mas comprei um quadro lá na TOK & STOK de Curitiba.

Então (e finalmente) um projeto (das louças) e hoje fiz uma nova arte, para o deleite dos amantes da lavação (será que existem? onde vivem? o que comem?). Se você também faz esculturas de louça, mande uma foto e uma história que pode ser que eu publique. 

Estou de férias dos plantões e vou aproveitar para fazer coisas no computador (inclusive o imposto de renda) e isso vai render uns textos também.


Eu sou o Narrador!

terça-feira, 25 de março de 2025

Fantasmas

♫"Andam soltos fantasmas e bruxas
Lobisomem em noites de lua
O saci dança em noites escuras
E ninguém tá seguro nas ruas"♪

Conheço pessoas que têm medo do período da quaresma, mas, vamos combinar, que coisas esquisitas frequentam as noites outonais isso frequentam. Os gnomos e duendes deram uma trégua (se bem que, outro dia, sumiu um colírio que reapareceu vazio e considerei que algum deles estava com conjuntivite) e sorridentes fantasmas começaram a aparecer.

- Como assim, Narrador? - perguntou o Quati

Fantasmas! Afinal, quem nunca viu?

Vultos, sombras, ruídos, odores diferentes (se bem que o Saci fuma cachimbo e pode ser que ele tenha andado por aqui também), brisas e tudo o mais que pode parecer esquisito.

A história dessa casa eu não conheço: sei que os donos moraram um bom tempo, mas preferiram mudar de cidade e manter alugado; os inquilinos anteriores tinham um pit bull e é só isso que eu sei.

E os fantasmas?

Se fosse uma atração televisiva comandada pelo Sérgio Chapelin, talvez ele dissesse o seguinte: " Quem sãos os  fantasmas a quem nós, brasileiros, confiamos as nossas casas? O programa de hoje investiga a vida dos fantasmas, se bem que eles estão mortos. Como vivem, já que morreram? Quanto ganham, se é que trabalham? O que pensam os fantasmas que um dia escolheram como profissão assustar os outros?"

Bom... terminei de escrever esse texto, vi o jogo do Brasil x Argentina (perdi meu tempo) e fui dormir. Eis que, de repente, a Mel (a cachorrinha aqui de casa.. aquela que não late, não corre atrás de cachorro da rua e que já falei em outro texto, dá um pulo atrás de um "barulho", latindo e tals. Mandei ela "pegar" e fui atrás. De pista, somente um final de pacote de pão que encontrei no chão, nitidamente mexido e rasgado. 

Foi um gato? HeHeHeHe...


 
Eu sou o Narrador

Nota: O trecho da música utilizada é do Ivan Lins - Quaresma. Aliás, usei outro trecho no texto "Fotografias na parede de madeira" Espero que ele não se incomode com isso.

quinta-feira, 13 de março de 2025

Na Terapia

"- E aí, quando abriram a porta eu saí correndo..."

Que dia! Eu estava animada, fui no salão, saí de lá arrumadíssima, cheirosa... Tudo isso para conhecer a outra casa que minha dona morava. Subi as escadas ansiosa. Ela abriu a porta, eu entrei e logo veio a outra...

Chegou perto, latiu, cheirou minha bunda e nem deu bom dia!

Aí minha dona colocou comida pra mim e a outra comeu tudo!!

Nem discuti, na primeira chance eu devorei a comida dela! Que audácia! 

E a outra era bem doida: latia para as pessoas na rua, corria em volta o tempo todo e não sorria de jeito nenhum. 

Pensou que não podia piorar?

Depois do almoço todos os humanos foram trabalhar e estudar e eu fiquei sozinha com ela a tarde toda!

Preferi ficar afastada, mas ela puxou assunto. Disse que ninguém levava ela para passear e que ficava o dia todo naquele apartamento.

Em dado momento, ela voou na porta e começou a latir. Pensei que fosse alguém chegando, mas era só o vizinho levando o pit bull para passear.

Acredita que o sonho dela era encher o pit bull de porrada??

Depois dessa fiquei escondida num canto até meu tutor chegar e aí dei nas patas! Desci as escadas correndo, entrei no carro e fiquei quietinha até chegar em casa.

Demorei um tempão para conseguir me acalmar.

Hoje estou melhor, mas lá eu não volto.


Bom dia. Eu sou o Narrador 

quarta-feira, 5 de março de 2025

Fotografias na parede de madeira

 ” I am a writer: anything you say or do may be used in a story” 

Quando saímos do chamado "bloqueio do escritor" (ou bloqueio criativo)  o que mais queremos é recuperar o tempo perdido. 

Desde 2017, ainda fiz dois blogs só que com um estilo diferente. "Mais de 20 anos" foi quase um legado póstumo, por conta da pandemia, quando não sabíamos se sobreviveríamos; "Pia da Cozinha" já foi um pouco mais criativo, mas não foi bem o que eu queria fazer. 

Agora que voltei (ao que parece) vou contar algumas coisas que eu acho interessante e uma delas mostra meus quadros.

Lá no passado, eu escrevi "Fotografias na Parede de Papel" e vocês podem acessar o link para entender como a coisa começou.

Nessa casa nova, ganhei uma parede de madeira e decorei com meus quadros antigos e algumas ideias novas como a placa do meu primeiro carro (uma Brasília branca 1976), minha coleção de "pins" (em construção), uma lembrança da minha viagem a Santiago de Compostela (ainda vou falar disso) e um visual do tipo "setup". 

É isso. Quarta-feira de Cinzas, início da Quaresma, ainda não encontrei os "perdidos". 

♫"Acabou toda essa brincadeira
Não há jeito de ser diferente
Como sempre chegou quarta-feira
E a praça não é mais da gente"♪

 

Bom dia! Eu sou o Narrador

terça-feira, 4 de março de 2025

Arco Íris

 ♫"Fadas e gnomos
Todos os duendes de todas as matas
Todas as pedreiras, fios d'água, cachoeiras
As outras cores do íris"♪

O movimento da mudança foi realizado em dois dias: no primeiro ele levara suas roupas e coisas simples, pois a casa nova já possuía móveis; no segundo dia o freteiro resolveu o restante.

Próxima fase, já com a origem vazia (ou quase) era o momento da limpeza. No dia seguinte, uma revisão mostrou que ficaram para trás duas peças importantes para a montagem de um equipamento; foram resgatadas e colocadas no bolso.

♫ São segredo nossoQuisera falar das coisas que não possoDo que faz do ar, a brisa, e a brisa de ventoE o vento de ventania"♪

E aí começou a confusão: aonde foi parar uma das peças? 

Novo inventário, novos sumiços, como a proteção de borracha dos pés da televisão, uma escova de roupas muito boa e cara, uma tesoura pequena (mas nem tanto) e, recentemente, meio comprimido de remédio para cachorro.

♫" Essa magiaEssa força que comanda cada elementoÉ a poesiaDe se recriar e de escolher o momento"♪

A primeira hipótese seria a distração ou os neurônios envelhecidos e prejudicados (provisoriamente) pelo alto stress dos últimos meses; a segunda hipótese (que poderia ser formulado por Mulder e Scully) seria a presença do gnomo que esconde as coisas.

- Ah! Narrador - diria o Quati - você voltou tão pirado quanto antigamente. Essas coisas devem estar embaixo dos móveis.

- Mas Quati, o que explica o sumiço... pior... o que explica o aparecimento das proteções de borracha espalhadas pela casa e quintal (locais que o sujeito frequentava direto). Sem contar que o sujeito fez faxina.

♫" De ser uma rosa
E de ser o elfo que mora na rosa
Ter um brilho intenso
Como o sol e como o ouro no final do arco-íris"♪

O que se sabe é que a Natureza guarda mistérios. A casa possui um jardim (necessita de cuidados) e o sujeito também possui uns seres na bandeja mágica que virou armário.

Será? Agora só falta a pecinha, a tesoura e o tal do meio comprimido. Ah! Os gnomos devolveram um anel dos moradores anteriores. Achei numa gaveta que eu já abrira e não estava lá. 🤦🤦🤦


 Boa noite. Eu sou o Narrador. Eu voltei!

 

domingo, 2 de março de 2025

Violão e o Cachorro

O Carnaval começou e sua folia foi trabalhar. 

Saíra do cativeiro há meio mês, conseguira resgatar suas coisas (inclusive o violão), acrescentou as novas e a fase agora seria de montagem do necessário. 

Recomeçar "do zero" já não era novidade... a diferença é que, agora, havia experiência: aprendera a cozinhar (formado em "Top Chef", "Masterchef", "Panelinha", seguidor do Claude Troigros e outros), cuidar de casa, comprar no Mercado Livre e outros detalhes que a vida ensinou.

Um dos ensinamentos foi cuidar de cachorro. A cadelinha inicial, não foi resgatada e ficou por lá (ao menos por enquanto), mas sua filha gostou de outra que adotaram de um abrigo e chamaram de "Mel". Na verdade, o nome era Melanye, mas a menina não conseguiu pronunciar direito e ficou como Mel, sobrenome, Melody.

Muito tranquila, usa o jardim para suas necessidades, não é fujona, não fica latindo para os cachorros da rua e gosta de carinho. Tem casinha, mas prefere uma cama mesmo.

Agora segue o Carnaval. Dizem por aí que um filme brasileiro vai ganhar o Oscar.

Mas isso é assunto para outro dia, se eu eu tiver paciência.

 Eu sou o Narrador

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2025

Cativeiro

 "cativeiro

substantivo masculino

  1. lugar em que alguém se encontra cativo; prisão, clausura
  2. qualidade ou estado de quem se acha cativo."
     
    No momento em que sucumbiu 
    Aos apelos de sua melhor amiga,
    Naquele ano bissexto,
    Também sucumbiu ao momento de fraqueza,
    Onde a carência associou-se à atenção recebida
    E o amor falou mais alto.
     
    No mês seguinte, quando tudo terminou,
    Destroçado pela perda do que recebera,
    O destino pregou-lhe outra peça
    E deixou-se levar pela promessa de melhores desafios.
     
    Só que o desafio transformou-se no inferno:
    Primeiro perdeu toda privacidade e foi afastado dos amigos;
    Depois perdeu boa parte das comunicações...
    Quando viu perdeu sua vida
              No cativeiro, onde somente havia um colchão e um cobertor
              (ajuda inesperada de uma nova amiga),
              Lembrou que o que importa é  
             "o quanto aguenta apanhar 
              e continuar lutando"              

              Progressivamente, transformou o cativeiro em pequeno lar,
              Onde a humildade e delicadeza prevaleceram.
              Recuperou parte das forças
              Partiu para o resgate de sua dignidade.

              Hoje, quando olha para trás, ignora o que passou.
              Livre, já em novo lar, usa a inteligencia
              Supera intempéries e segue em frente.
 
              O resto? O resto que se foda!           
              





              Como disse o "Terminator": "I'll be back"
              E eu voltei! Eu sou o Narrador!
       
             

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Ciclo

”Ciclo: substantivo masculino - espaço de tempo durante o qual ocorre e se completa, com regularidade, um fenômeno ou um fato, ou uma sequência de fenômenos ou fatos.”

Assistindo pela enésima vez o filme Interestelar, onde o tempo é mais relativo do que se pensa e as decisões movidas pela ciência nem sempre serão as mais corretas, vi que errei quando atribuí a frase “O amor é a única coisa que transcende o tempo e o espaço” ao Professor Brandt: na realidade foi sua filha que falou isso, enquanto a tripulação da Endurance decidia o destino da missão. Naquele momento, terminara um ciclo da viagem e outro deveria iniciar.  
Eu não sei o que me domina 
E mesmo assim não penso em me livrar 
Num fascínio de alma gêmea 
  Você em mim constrói o seu lugar  

No movimento dos anos a coisa é muito parecida: chega janeiro, todos tiram férias (alguns trabalham, mas só para manter as fornalhas acesas... daí o puta calor dessa época), viajam, voltam sem dinheiro, tem que pagar IPTU, IPVA, IPQP (dentre outros das Ilhas Caralhésias do Norte – as do sul foram destruídas por um tsunami), não sabem o que fazer com os filhos cujas aulas ainda não começaram e enlouquecem quando termina o horário de verão antes do Carnaval que ninguém sabe em que data vai acontecer.  

O amor se fez me levando além onde ninguém mais 
Criou raiz, ancorou de vez, fez de mim seu cais 
Lendo a rota das estrelas  

No ciclo iniciado, após o desastroso bissexto, algumas pendências foram resolvidas, outras permaneceram onde estavam e algumas insistiram em complicar o seu término, mas isso são coisas que acontecem. Independente disso, a confirmação de que não é água com açúcar e sim com sal que acalma, naquele momento onde concordamos com os insanos que enfrentam qualquer coisa para chegar à praia, mostra que tudo pode ser diferente mesmo que pareça a mesma coisa de todos os anos (ou ciclos, já que o tema é esse).  
Nesse abraço se fez um ciclo 
Que não tem fim e é todo o meu viver 
É como alcançar o infinito 
Reflete em mim e volta pra você  

Na linha do diferente, o blog ficou parado um tempo (férias do Narrador que também é gente e precisa de descanso), os temas antigos foram deixados no antigamente, novas ideias surgiram, novas emoções encheram os corações e o conceito de “sério” e “no mínimo para sempre” completou o prólogo do que será um ano onde algo muito grande irá acontecer.  
O amor surgiu como um em mil, por você eu vim 
E assim será a me conduzir, sem mandar em mim 
Como o vento e o barco a vela, que nos leva sem fim  

Concluindo e complementando Vercillo, repito a frase do Cooper: “Nossas maiores realizações não podem ficar para trás porque nosso destino está acima de nós.” 

'Bora comer um chocolate e tomar um café porque a aventura apenas começou.  


 
Boa Noite! Eu sou o Narrador.

sábado, 7 de janeiro de 2017

A Lista

Quando estive com a Patrícia, em dezembro, ela comentou que havia um movimento de “urgência” no consultório por conta de um tal de “check list”. Eu não entendi direito, mas ela comentou que as pessoas fazem listas de coisas a fazer durante o ano (ou até que ele termine) e a consulta com o oftalmologista costuma fazer parte disso. Como ir ao médico é procrastinado ao máximo, para cumprir a meta as pessoas correm é no final do ano mesmo. Achei isso tudo meio doido, mas realmente tem coisas que a gente lista mesmo (mas sem neura, claro, mesmo sendo um ser bem metódico por conta da necessidade de sobrevivência). 

Vim a Curitiba para passar o final de semana: primeiro pegar uma encomenda na “Los Quadros” que deve virar texto mais pra frente; depois aproveitar shopping e cinema. Viu? Era uma pequena lista! O interessante é que não venho na cidade há um tempão e foi a primeira vez que consegui chegar a todos os lugares sem errar o caminho (desde a BR até os shoppings Estação e Mueller) – achei um bom sinal (afinal das contas acabou a porra do o ano bissexto!).

 Aí, já que distração fazia parte da “lista”, hoje pela manhã, olhando a rede social, dou de cara com uma dessas “listas” que dois queridos alunos (Juliana e Luizinho) estavam marcando e resolvi entrar na brincadeira. Achei interessantíssimo porque isso mobilizou alguns dos meus amigos a comentar, fazer suas próprias, desejar coisas boas... enfim... foi divertido. A grande dúvida que sempre fica é o que fazer depois que a lista acaba. Tem coisa nela que eu não vou fazer nem “fudendo” pagando como tatuagem, piercing, pular de bungee jump e acho que já não tenho mais idade para intercâmbio. 

Enfim... na minha lista para hoje não tinha esse texto. Listas a gente faz todo dia, mas tem coisas inesperadas que podem ser também inesquecíveis (costumam ser as melhores). 




  
Boa Tarde! Eu sou o Narrador.

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

História da sua vida

” - Não tenho certeza se estou pronta para ter filhos. Perguntei a uma amiga minha que é mãe: Imagine que eu resolva ter filhos. E se eles crescerem e me culparem por tudo o que há de errado na vida deles? Ela riu e disse: O que você quer dizer com “se”?” (Ted Chiang)

Cinco dias depois e nada fica claro, só a sensação de que lidamos com algo muito maior do que entendemos o que me fez pensar na sua história: não acontecer desviou o nosso rumo em alguns anos, mas o que se veria hoje seria aproximadamente o mesmo. 

Vamos supor que o destino te fizesse mais forte e aqueles mínimos três ou quatro meses virassem anos: algumas diferenças seriam deixadas para depois, mas assim que sua mãe notasse (na realidade ela descobriu tudo bem antes) que ao invés de solução você seria oposição, ela tentaria transformar sua existência em algo detestável... sorte que eu estaria atento à essa possibilidade (chamaria de “efeito bailarina”, pois acontecera algo semelhante antes)... sorte que aquele momento de maus tratos, que todos veriam, que não era birra, onde eu chegaria logo a seguir, pegaria você no colo, levaria ao hospital e o apêndice extirpado de forma rápida deixaria pequenas cicatrizes que hoje você procuraria, mas nem imaginaria aonde estariam... sorte que a juíza acreditaria na história (muitas testemunhas)... sorte que você, pequenina ainda, contaria tudo como “gente grande”... sorte que iríamos embora, mesmo que para perto, e após um tempo, mais adiante, para bem longe depois.

Sei que no dia do ciclone você pensou nisso, mas hoje contei outras coisas que você não saberia (ou preferiria esquecer). Quanto frio passaríamos, não é mesmo? E os detestáveis “apagões” que te deixariam “longe” dos seus inseparáveis amigos? Falando dos amigos, o quanto sua bondade e clareza de raciocínio evitariam que eles sofressem, quando me contasse sobre as coisas que acendiam seus alertas? Faríamos uma boa dupla: melhores amigos para sempre, ou BFF como você preferiria dizer. 

Só que chegaria o tal momento do “adeus” e creio que ele estaria muito próximo hoje; nesse finalzinho você riria muito das dificuldades que eu teria com suas coisas de menina (lógico que eu receberia muita ajuda), enquanto arrumaríamos suas bonecas e outros brinquedos para a lição de desapego. Você iria (ou ficaria) enquanto eu ficaria (ou iria). Aos poucos o riso daria lugar ao choro convulso, inevitável, não fosse a súplica dela que insistiria que você ficasse e, se necessário, ela iria em seu lugar. O que seria o curso natural dessa evolução ensandecida de uma vida condenada? 

:Num pasto, na esperança de ser abduzida, Ana a encontra: “Não virão hoje... o que faremos?” 
Ela se cala... Fez-se o silêncio.





Boa Noite! Eu sou o Narrador.

domingo, 11 de dezembro de 2016

Fotografias na parede de papel

” I am a writer: anything you say or do may be used in a story” 

Ainda na época do “Contos de Fada?” alguns textos foram considerados como autoajuda e isso me incomodou bastante, pois jamais foi meu objetivo escrever no blog com tal fim. Depois que mudei o estilo (se bem que ainda “puxo” muita coisa de lá) eu faço alguns textos algo “melancólicos” e que, por incrível que pareça, fazem bastante sucesso com os leitores (tem muita gente que curte um texto triste), mas particularmente eu não curto esse tipo de terapia. 

Quando mudei para onde moro eu resolvi usar um compensado de madeira (que no final das contas é quase um “papelão duro”) para dividir a sala e criar um anteparo para o vento frio e um canto como se fosse um escritório. Para a contar a novidade, fotografei e mandei para a amiga mais antiga que sugeriu uns “quadrinhos” e uma ajeitada geral, lógico. Essa ajeitada até dei, mas não como ela faria. O que ficou sempre na ideia, foi usar a parede de papel para alguma coisa e esse projeto, recentemente, voltou à tona com a possibilidade de uns desenhos com giz ou lá o que fosse, de forma meio personalizada e tals. Infelizmente isso vai demorar um pouco para acontecer e, enquanto o tempo para, resolvi comprar os tais “quadrinhos” que a amiga sugeriu. 

Pra não dizer que eu não tinha nada, eu coloquei uma foto emoldurada que ganhei da Fernanda, há muito anos, e que apelidei de “sombra do Peter Pan”; coloquei um relógio também e andei ganhando umas ampliações de umas fotos legais que tirei por aí e até pensei em colocar moldura e aí nunca fiz porra nenhuma coisa alguma e pronto. 

Em dado momento, fez-se a luz! Caminhando no shopping, vi um quiosque da “Los Quadros” cheio de coisas interessantes e acabei comprando três quadrinhos, o que deixaria minha amiga muito orgulhosa (se bem que o lance do desenho me agradaria mais... enfim... deixa quieto). Os três tem frases, mas não são de autoajuda e sim coisas que eu realmente acredito, que falaria para alguém e até escreveria no blog. 

Fotografias... quadros... músicas... memórias... coisas que são referências e que surgem a todo instante em tudo que fazemos... até o Johnny Cash... 

Ah! No dia do desenho, é só tirar os quadros e colocá-los em outro lugar...

♪“We keep this love in a photograph 
We made these memories for ourselves 
Where our eyes are never closing 
Our hearts were never broken 
And time's forever frozen still”♫ 




 Boa Noite! Eu sou o Narrador.

N.N: Atualizado com a última foto em 08/01/2017.

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Ciclone

No passado, a proximidade do ciclone era prenúncio de apagão e chegada de Adrielle. Na véspera faria calor, mas o dia seguinte iniciaria nublado e estranhamente silencioso, como se até os pássaros resolvessem reforçar seus ninhos na proteção das crias. 

Ana olhou para o céu, viu as nuvens de um cinza avermelhado bem característico e correu na direção da casa ainda a tempo de fechar algumas janelas, antes que a areia levantada pelo vento inundasse todos os cômodos (“like Murphy Cooper”). 

Do lado de fora, a tarde se fez noite e a tempestade surgiu ao longe num cone de chuva forte. Separou os lampiões e as velas, como de hábito, e arriscou um banho rápido antes que a energia elétrica cessasse. Sentiu falta das irmãs, que preencheriam esse momento vazio de profunda solidão, mas não entristeceu pois sabe que as verá em algum momento.

Já sem luz qualquer que fosse, acendeu o antigo Aladim e o cheiro de querosene espalhou-se pela casa deixando um aroma de lembrança de outros tempos, para aqueles que lá estiveram. Aproveitou o brilho azulado e, com a ajuda de um incenso de mirra, buscou uma ponta de luz que lançada na parede criou uma tela em branco. 

Sentou-se no sofá de almofadas gigantes e coloridas, usou uma manta atoalhada para aplacar o frio e escolheu fuçar o universo alternativo, aquele que poderia ter sido e que ficará para uma próxima vez. Uma torta de amoras recém saída do forno e deixada por Tia Nastácia foi a solução para a preguiça de preparar um jantar. 

Ela teria o dobro de sua idade, humor muito variável (dependendo da época do mês), brigaria com espinhas, usaria aparelho nos dentes; cuidaria dele assim como ele o mesmo faria, como companheiros inseparáveis, e cantariam nos dias de sol; nas férias viajariam pelo mundo e fariam fotos divertidas que compartilhariam com os amigos... seriam felizes, veriam Grey's Anatomy e aprenderiam com suas lições. 

Apagou a magia, o lampião e dormiu no sofá. Vozes ecoaram na sua cabeça, mas quando acordou não lembrou o que sonhara. 

“Por que nós tentamos, quando as barreiras são tão altas e as chances tão baixas? Por que não fazemos as malas, e vamos embora? Seria tão mais fácil. É porque, no fim, não existe glória no fácil. Ninguém se lembra do fácil. Eles se lembram do sangue e dos ossos, e da longa e agonizante luta até o topo. O segredo, porém, ganhando ou perdendo, é nunca falhar; e a única maneira de falhar é não lutar. Então você luta até não poder mais e é assim que você vira uma lenda.”¹ 

 
Boa Noite! Eu sou o Narrador.  

¹ Tradução e edição livres das narrações do episódio 11.14 - “The Distance” - de Grey's Anatomy.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Voilà mon Jardin

Philippe Ledoux tinha uma amigo que se chamava Jacques e que morava numa quitinete. Na primeira vez que foi visitá-lo em casa, achou que era outra coisa e seguiu-se o seguinte diálogo: 
Philippe : C'est ta chambre ? Elle est grande ! (Phillippe pensou que era o quarto e não o apartamento todo.) 
Jacques : Ma chambre? Non! C'est mon appartement. 
Philippe : Ton appartement ! 
Jacques : Mais oui, tu es dans mon bureau. (Havia uma mesinha, logo na entrada, que Jacques dizia ser o escritório) 
Philippe : Et là? Qu'est ce que c'est ? 
Jacques : C'est ma cuisine. (onde havia um fogareiro – não havia micro-ondas à época – e uma pequena pia). A gauche, voilà ma chambre. (do lado esquerdo havia um sofá-cama) 
Philippe : Et voilà ton jardin ! (pegando um vaso de planta) 

Essa história era a segunda lição do livro “La France en Direct” (na primeira, eles combinaram essa visita por telefone), base do método chamado de “Capelle” e utilizado na Aliança Francesa do Rio de Janeiro e também no Colégio Marista São José, onde o francês era ensinado no primeiro e no segundo ano do antigo curso “Ginasial” (isso foi lá no início dos anos 1970). 

Estudei na Aliança até o final do segundo grau, quando fiz a prova de conclusão e obtive o “Certificat d’Etudes Pratiques et Apprentissage de Langue” (CEPAL) e comecei o curso superior (NANCY), mas meu objetivo era outro e parei o curso após um semestre. Foi uma época muito interessante, pois uma das características da Aliança era acontecer em casas do tipo residenciais, onde os cômodos eram adaptados para salas de aula. Os primeiros dois anos foram na sede da Clóvis Bevilácqua, na Tijuca, e a minha sala era num “puxadinho” que deve ter servido como oficina, estufa ou área de serviço; depois a sede foi para a Andrade Neves e já era uma casa mais sofisticada para a época. Nessa segunda etapa, havia um pequeno teatro onde conheci o trabalho (e o próprio) do Oswaldo Montenegro que lá apresentou sua peça de estreia “João sem nome” em 1975. 

Nunca tive jeito com animais (salvo as aranhas, lagartixas e os pelúcias) e muito menos com plantas. A bandeja mágica começou com uma jardineira e depois evoluiu até uma cristaleira, sendo que a jardineira deixei com minha amiga Patrícia. Só que, há algumas semanas, recebi um belo presente da amiga Sarah: uma planta – Serissa – num esquema de hidrocultura que, no final das contas, é a melhor coisa para o jardineiro preguiçoso, pois não dá qualquer trabalho para a manutenção. 

Juntando tudo, lembrei do Philippe Ledoux zoando o Jaques, da Aliança Francesa e do Oswaldo Montenegro que conta a história do grupo que veio de Brasília para o Rio de Janeiro (citando a Aliança Francesa) no filme “Leo e Bia”, que eu já vi algumas vezes e que ele próprio disponibilizou no Youtube. 

“Saudade é um elogio ao passado” 



Boa Noite! Eu sou o Narrador.

segunda-feira, 2 de maio de 2016

O trem e as flores

Antes do frio chegar, a minha ideia era escrever alguma coisa a respeito de umas flores silvestres que eu vi, num domingo de manhã, durante uma caminhada; não sei se já falei isso, mas gosto de caminhar nas manhãs de domingo e ver o acordar desse dia tão preguiçoso. Só que, aí, veio a chuva, o frio, e o efeito desse tema caiu por terra. Nisso fiquei pensando... vou falar do quê? Já que fotografei essas flores, não vou mostrar num texto? 

Moro numa região marcada por guerra que foi chamada de Guerra do Contestado (qualquer hora eu falo disso) e uma das diversas causas foi a construção da Estrada de Ferro São Paulo – Rio Grande que passava por aqui. Hoje em dia não há mais transporte de passageiros, salvo como atração turística, mas já tive a chance de viajar num trecho dessa forma. 

Coisas antigas são legais e as coisas mais singelas geralmente são as mais bonitas... como o apito do trem e as flores silvestres; e como disse hoje meu amigo Cleber, por conta do bloqueio do aplicativo Whatsapp, quem sabe veremos “reais provas de amor, pois voltarão à cena as ligações e sms nas madrugadas e, quem sabe, até cartinhas acompanhando buquê de flores”. Seriam flores azuis iluminadas pelo sol dourado das manhãs de outono? Sendo assim, minha foto prestaria para contar uma bela história, mas não vou perder a chance de escrever juntando tudo isso que já falei (e com uma "ajudinha" do que já foi cantando em verso pelo Milton Nascimento). 

Era uma vez... um trem! 

Seu apito se escuta ao longe... 
Este não tem fumaça como maria 
E não sei se o maquinista tem boné, 
Mas sempre há um ponto final... 

Traz lembranças para uns, 
Esperanças para outros 
E espalha vida em seus trilhos 
Com as sementes que carrega... 

Já disseram que existem outros maquinistas, 
Cortejados pelas moças (que sempre são flores), 
Que passam, deixam lembranças e vão embora, 
Deixando corações viúvos daquela antiga emoção. 

Trabalha-se para esquecer... 
Tudo ilusão... 
Troque o trem e siga outros trilhos 
Que a felicidade esperará em algum lugar...



   

Boa Noite! Eu sou o Narrador.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Antissocial

Quando pensei neste texto o título seria “Eu não tenho Whatsapp”, mas achei um sem número de textos, vídeos e fotos com esse título e aí mudei; não que a solução fosse mais simples: tive que consultar os especialistas porque achei a forma da escrita muito feia (mais bonito com o hífen), mas o tal do acordo ortográfico e o caralho a quatro coisa e tal mandam que seja dessa forma. 

Fazer o que? Realmente, eu não tenho o aplicativo, mas não por teimosia, eu já tentei, e sim porque eu fui colocado num grupo e não consegui acompanhar a quantidade de mensagens enviadas. Aí fui colocado num outro grupo e o efeito foi o mesmo – deletei! Chega! Confesso que eu subutilizo (bem que poderia ter um hífen, né?) meu smartphone (nome chique do telefone móvel ou telefone celular, mas que tem acesso à Internet e permite várias funções) e que só uso para ligações eventuais (pro meu pai eu sempre ligo, para os outros é mais raro), mandar e receber SMS, verificar meus e-mails quando não estou em casa, assim como brincar na rede social e conferir os acessos no meu blog. 

Esquisito, né? Gastar uma nota preta num aparelho e não utilizar todos os seus recursos? Bom, quanto eu gastei no aparelho não interessa, mas saiu quase de graça por conta de um plano de fidelidade que eu tenho na operadora (senão ia rolar outro aparelho); facilita porque não preciso carregar o notebook sempre que viajo e tem, óbvio, algumas facilidades com aplicativos úteis do tipo taxa de câmbio, previsão do tempo, máquina fotográfica e, mais recentemente, aderi ao Cyclers que é um cliente Strava para registrar os passeios de bicicleta (outra hora falo disso).

Evolutivamente, quando Alexander Graham Bell inventou o telefone... bem... na verdade descobriram que não foi ele, foi um barraco e isso só mudou em 2002, mas é melhor você ler na Wikipédia. Voltando ao assunto, depois que o telefone surgiu, substituindo os sinais de fumaça, batuques de tambor, pombos e jamais as corujas, possuir uma linha era uma luta e isso era considerado parte do patrimônio pessoal, inclusive listado na declaração do imposto de renda. Com o passar dos anos, a liberdade de falar quanto tempo quisesse, pagando uma taxa mínima, foi substituída por um sistema equivalente ao “pré-pago” atual o que atrapalhou bastante seu uso (saía muito caro ditar todo o dever de casa para o colega, ou ficar "pendurado" com a namorada - você entendeu a metáfora né, ou precisa de um desenho? - durante horas), mas liberou o acesso universal e quase todo mundo conseguiu seu próprio aparelho funcionante.

Mais adiante surgiu (ou surgiram? esse nosso idioma é muito complicado!) o "bip", os pagers, o celular "tijolão", o computador pessoal, o "palm" e, por fim, liberaram a Internet (ela é mais antiga do que se pensa, mas era restrita a alguns grupos de pesquisa e universidades). Nem vinte anos depois, juntaram isso tudo num único aparelho, reduzindo as distâncias, para os que estão longe, e aumentando as distâncias, para os que estão perto (isso eu não preciso explicar). 

Eu não uso telefone fixo fora do trabalho. Em casa tornou-se um desagradável incômodo quando ele tocava e era alguma instituição pedinte ou algum engano (ou era do trabalho pedindo que você trabalhasse fora de hora); ligar para as pessoas também poderia ser um incômodo, pois o telefone só toca quando você está no banho ou com alguma outra impossibilidade que também não vem ao caso. 

Nessa última situação o SMS resolve muito bem porque você pode já definir o recado ou até perguntar se a pessoa está disponível para receber uma ligação. Comunicação é tudo, mas continuei sem encontrar a utilidade do Whatsapp, no meu caso. No computador, os mensageiros instantâneos são bons, muito mais para passar o tempo; no celular, acho que funciona mais por conta da gratuidade. 

Enfim, se você usa (e usa) o aplicativo, legal pra você e não pra mim. Se quiser me chamar para sair, viajar, tomar cerveja (não resisti e coloquei o desenho do Mestre Cervejeiro na minha montagem de hoje; clique na imagem para ampliar) e outras coisas, existem muitas formas de contato; se me ligar e eu não atender, eu ligo pra você, desde que seu telefone exista na minha agenda e que você não use o “desconhecido” como identificação (nesse caso eu nem atendo); e quando a gente sair, quem sabe a gente conversa sem usar o telefone, não é mesmo? 

Ah! Esqueci de comentar: eu tenho um mensageiro instantâneo (no computador) muito bom que é chamado de ICQ. Quer saber meu UIN?


Boa Noite! Eu sou o Narrador.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Resistir é inútil?

Existem coisas irresistíveis, principalmente no inverno: sair tarde da cama, um bom vinho, chocolate, aquelas roupas bonitas que a gente não usa no verão e, também, assistir muita coisa na televisão. O inverno também apresenta paisagens únicas, como a geada (eventualmente a neve) e o arco-íris que apareceu outro dia de manhã. 

“Resistir é inútil” é uma frase que ficou famosa nas sequências de Star Trek e era característica dos Borgs, seres alienígenas que assimilavam e destruíam as espécies que encontravam pela frente (os Vogons também falaram isso quando, inadvertidamente, destruíram o planeta Terra, mas quem quiser saber mais deve procurar no Google). O que nem os Borgs e nem os Vogons esperavam era a qualidade humana de resistir e sempre superar dificuldades; e eles nunca tiveram sucesso na conquista do nosso planeta (pelo menos nas séries televisivas). 

Outro dia, apresentando uma tirinha de quadrinhos que comparava as oportunidades que um rapaz rico teria em relação à uma moça pobre, eu li uma frase que me incomodou, pois falava "que ainda existem pessoas que acham que os menos favorecidos tem chances de conseguir crescer na vida". Por conta disso, resolvi contar uma historinha. 

Era uma vez uma menina que guardava carros. Vamos simplificar e chamá-la de “flanelinha” que é como as pessoas chamam os guardadores lá no Rio de Janeiro para receber algum trocado pelo serviço informal. Muito simpática e prestativa, entrou para o rol de pessoas ilustres e lendárias lá do Parque Municipal de Petrópolis, que fica em Itaipava, um desses lugares irresistíveis e de boas lembranças para seus frequentadores. Além da simpatia, que provavelmente herdou da sua mãe que também trabalhava no Parque, vendendo água de coco (ela ainda está por lá), sempre estava com um livro na mão que pegava na biblioteca do Parque (acho que ela leu todos os livros de lá) e conversava a respeito da sua leitura com quem quisesse ouvir. 

Um belo dia, ela estava triste e um sujeito, que deixava o carro aos seus cuidados e com quem conversava bastante, perguntou qual era o problema e ela falou: 

- Passei no Vestibular! - mas antes de receber os parabéns, ela continuou – Só que eu não tenho dinheiro para pagar a faculdade. 

O grande feito foi para uma das melhores e concorridas faculdades de Direito do Brasil. O sujeito achou que tal oportunidade não deveria ser desperdiçada e se propôs a “dar uma força”: patrocinou a matrícula, conversou com alguns amigos que se propuseram a ajudar também e foi com ela conhecer a instituição, quando ela deu entrada num pedido de bolsa de estudos. Quando ele olhou o formulário viu que era algo muito burocrático e que dificilmente ela conseguiria a bolsa. Mais tarde, em casa, ele teve a ideia de mandar um e-mail para o reitor da universidade, contando a história toda e pedindo que ele avaliasse o pedido de forma personalizada, principalmente considerando que, apesar de aluna de escola pública, ela conseguira nota muito maior do que vários outros candidatos que vinham da rede privada. A atitude deu certo e ela conseguiu bolsa integral durante todo o curso. Após a formatura, muito comemorada, ela passou a exercer a atividade e a última notícia que eu tive é que ela estava na Europa, de férias. 

“Ah! Ela teve sorte” - diriam alguns invejosos. Só que ela não teve sorte não: ela mereceu, ela estudou, ela leu todos os livros da biblioteca pública, ela trabalhou muito durante e depois da faculdade; ela “correu atrás” e resistiu aos problemas e os superou. Ela é exemplo, assim como tantos outros que vemos por aí. O que sinceramente espero é que se um dia os Borgs vierem assimilar nosso planeta que eles encontrem vários seres humanos como a menina flanelinha e, dessa forma e como nos filmes, nossa humanidade será preservada. Resistir não é inútil.  



Boa Noite! Eu sou o Narrador.

domingo, 24 de maio de 2015

O que você acha que as cores fazem por você?

Dias cinzas e chuvosos já são característicos do outono que também é entremeado com outros dias mais azuis e de sol. Dizem que essa estação é uma mistura de todas as outras, o que dificulta um pouco escolher uma roupa na hora de sair de casa de manhã. Como “levar casaco” já faz parte do nosso dia a dia (principalmente nas viagens), agora essa necessidade torna-se mais constante. 

Há uns quatro anos eu escrevi um texto sobre uma pergunta que uma amiga me fez sobre as cores. Acho que era para um trabalho de escola (realmente não lembro bem o motivo) e resolvi escrever a espeito. À época, a grande dificuldade foi encontrar uma forma certa de fazer isso e várias ideias vieram na minha cabeça. 

Uma delas, que foi a escolhida, foi falar de dias. Pensei em montar um mosaico, daqueles “coloridos-coloridinhos”, como pastilhinhas de parede de prédio antigo e colocadas numa caixinha como se fosse um pequeno arquivo. Essa inspiração veio do antigo blog da Emi, quando ela falou de um “Diário Infinito de Frases” e cada pecinha do meu mosaico representaria uma data específica. 

Logo no início eu procuraria um daqueles dias especiais e escolheria as cores mais bonitas para ilustrar. Claro que algumas peças desse mosaico seriam sem cor, pois são aqueles dias que desejamos “deletar” das nossas vidas e foi aí que eu consegui a resposta à pergunta da amiga: 

“- Cor é vida... o que não tem cor é representado pelas trevas.” 

E aí eu deixo um desafio aos meus quatorze leitores, principalmente aqueles que reencontraram as cores perdidas da infância nesses livros de colorir: 

- O que você acha que as cores fazem por você? 


Boa Noite! Eu sou o Narrador.  

N.N.: O “Diário Infinito de Frase” foi uma ideia da Natália Rosin, mas não encontrei mais o post original. Deixo aqui uma outra descrição a respeito. 
N.N.2: O blog atual da Emi (recomendo) se chama “Misturista”. 
N.N.3: As ilustrações do livro “Jardim Secreto”, que aparecem na foto, são da Zilda (sem permissão... mas acho que ela não vai ficar zangada comigo não!).

domingo, 28 de dezembro de 2014

O Velho, O Preto e a Sabiá

Naquele período, onde você aprende com seus pais o que é certo e o que é errado, eu aprendi que não era socialmente correto chamar um senhor de idade avançada de “velho”. Aprendi isso quando entrei num ônibus, com minha mãe, fiz exatamente isso e levei um “pito”, pedindo desculpas a seguir (bons tempos em que as crianças recebiam boa educação). Hoje em dia esses “senhores de idade mais avançada” são chamados de “pessoas da melhor idade”. Tudo vai mudando, para não ofender ninguém. Só que, na poesia, nem sempre isso é possível. Imagine os tradutores da obra de Ernest Hemingway colocando o título como “O senhor, na melhor idade, e a vasta extensão de água salgada que cobre grande parte da superfície terrestre”. 

O velho era muito velho. Já vivia sozinho há muitos anos, desde que sua velha partiu para lugares melhores, onde todos iremos um dia. Passava parte do mês na cidade e parte do mês na casinha interiorana, onde recebia visitas e cuidava das suas galinhas. Durante o dia, nos vários momentos de folga, ficava sentado na varanda ou, então, cochilando no sofá, quando não andava pela cidade. Gosta de doces e se você for visitá-lo, leve de figo ou de pêssego, mas ele não rejeita pudim de leite. Um belo dia, ele ficou doente (velho fica doente, não é mesmo) e não apareceu na sua varanda durante um bom tempo. 

Chamar alguém de preto pode ter um tom pejorativo. Aí, o socialmente correto virou “pessoa afrodescendente”, até que descobriram que 67,1% dos genes de Luiz Antônio Feliciano Marcondes, o Neguinho da Beija-Flor, têm origem na Europa e apenas 31,5%, na África (clique aqui para conferir). Ele é branco? E eu? Por que eu não sou “afrodescendente”? 

Enfim, lá na casa do velho tinha um preto que cuidava das galinhas, na sua ausência. Era velho, mas não era tão velho e também não era um preto velho, se bem que era umbandista, mas disso eu não sei nada direito. Muito conversador, uma barriga invejável e, até agora, não sei como ele conseguiu passar pelo alçapão que dá acesso ao forro da casa, onde ele lavou a caixa d'água. Quando ele chegava perto das galinhas, elas já sabiam que era o horário da comida e iam na sua direção (com o velho era a mesma coisa). Eu também cheguei perto do galinheiro, mas as galinhas não vieram na minha direção. Ficaram imóveis, como se alguém tivesse gritado “estátua”, que nem naquela brincadeira infantil, lá do meu tempo. 

Sabiá é um pássaro, mas também é personagem da “Canção do Exílio”, de Gonçalves Dias. Além disso, é nome da música vencedora do III Festival Internacional da Canção em 1968. Recebeu uma vaia enorme porque o público queria (queria?) “Caminhando” do Geraldo Vandré. Várias outras músicas falam do pássaro que é bem interessante. 

Lá na casa do velho, onde também tinha o preto, uma sabiá (para concordar com o Chico Buarque) chegava na janela da copa e ficava batendo, com o bico, no vidro da janela. Servia para me acordar, pois mantinha o mesmo horário, logo com os primeiros raios do sol. De tarde voltava e até em outros momentos. Disseram que ela fazia isso porque via seu próprio reflexo e pensava que era outro da mesma espécie. Ah! Que falta de poesia! Tenho certeza que a sabiá só fazia isso para ver se o velho aparecia, quando ela voava de novo. Se as galinhas reconhecem aqueles que as alimentam, claro que a sabiá também reconhece seus vizinhos. 

Aí o velho ficou bom da doença (foi coisa rápida), mas andou debilitado e passou mais tempo na casinha do interior. As galinhas ficaram contentes, o preto teve com quem conversar e a sabiá voltou a chamar na janela. 

Bons momentos de cidade do interior...  

"Não permita Deus que eu morra 
Sem que eu volte para lá 
Sem que desfrute dos primores 
Que não encontro eu cá 
Sem que ainda aviste as palmeiras 
Onde canta o sabiá"  





Boa Tarde! Eu sou o Narrador.